sábado, 10 de dezembro de 2011

Somos infelizes ao olhar para fora no modo de pensar e sentir...




A paixão ainda é possível?

Paixão de QUEM e para QUEM? Quer dizer que há uma espécie de pessoa que continua a existir e que se tornará feliz, e que depois de ter visto que no fundo, as pessoas não existem? Claro que não! Todas as paixões são a mais pura ilusão e elas desaparecem por si mesmo. (...) Finalmente, você não pode mais falar de paixão, mas sobre uma felicidade abrangente do SER. Então você não precisa correr atrás de mais nada de modo a manter sua atenção sobre seu verdadeiro eu, porque não há simplesmente nada maisSe nada está acontecendo e isto significa que tudo ainda é o mesmo, que sentido faz tentar perceber a verdade?

Nós realmente não devemos tentar isso! Como pode a onda do mar tornar-se água através de tanto esforço? Acontece que ela - a onda - já É água. E é por isso que somos infelizes olhando para fora no modo de pensar e sentirE, naturalmente, então nós queremos ser felizes assim - até que tenhamos sido capazes de ver que na nossa vida não é possível encontrar a felicidade duradoura "de qualquer maneira"
No entanto, de uma forma ou outra, ouvimos dizer que a Auto-realização é o tesouro da felicidade imutável! Hip Hip Hurra! Outra paixão ... a Realização dá-lhe nada - porém bela e clara o tanto quanto parece - até quando for possível enxergar a partir de todos os outros olhares em qualquer situação e aí sim você pode relaxar em um estado que não há qualquer segredo, nenhum esforço para obter absolutamente nada e nenhum pouco deste eu que pensa que é
Isso é verdade para todas as histórias, incluindo a história sobre a Auto-realização! Ou seja, você é sempre mais veloz do que qualquer experiência, principalmente aquela que você sussurra para si mesmo em sua imaginação acerca da Realidade, do real imutável, e que ele foi e será a sua verdadeira paixão.

[Chuck Hillig]

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Que tal um roteiro assim?

02 dias - New Delhi (chegada no Aeroporto)

08 dias - Rishikesh (prática de Iyengar com Usha): em Rishikesh é bacana se der tempo de conhecer o Ashram de Dayananda: e tem práticas de yoga lá tbm:http://www.dayananda.org/yoga-courses.html

02 dias - Vṛndavāna (lugar onde Krsna viveu!)

02 dias - Agra (visitar o Taj Mahal)

03 dias - Thiruvannamalai (Ashram de Sri Ramana): 

05 dias - Puttaparthy (125 Km de Bangalore): Ashram Sai Baba

05 dias - Pondicherry (Ashram Sri Aurobindo): 

05 dias - Amritapuri, Kerala (Ashram de Amma)

03 dias - Mumbai, Visitar Local de Nisargadatta Maharaj's Samadhi - Discourses Devotees http://nisargadatta.org/pages/monuments_nisargadatta_maharaj.html

Variações:
Caminhos Buscadoreshttp://theendofseeking.net/Links.html
Sampradaya Nisargadatta Maharaj:
http://www.advaita.org.uk/teachers/navnath_sampradaya.htm

domingo, 18 de setembro de 2011

Toda experiência dura apenas uma única contagem


No fundo, toda ideia que jaz em sua mente apenas faz parte de uma imaginação que se experiencia no delicioso lar da vida e que se dissolve no amor do Ser e na imutável aparência causada pelo experimentador.
Me refiro a realidade de que seu ser aparentemente indefinido não está ligado a uma pessoa e que as experiências não existem no nível pessoalAquilo que está lá, tudo o que existe, é demasiadamente abrangente no nível da experiência do ser
Mas sua vida é sem "conteúdo"? A sua vida tem algum sentido nesse nível?
Tudo que acontece trata-se apenas de uma experiência que dura apenas uma contagem, e por isso é um disparate total para a fonte de todo sofrimento... Olhe para sua busca em si em vez de olhar as experiências (que são geradas pela TV do mundo), e perceba que o seu todo-abrangente e indefinido experimentar - sem fazer ou não fazer nada - é mais rápido que qualquer vivência que é experimentada.


sábado, 10 de setembro de 2011

Você já é e possui tudo que precisa

Por que, na verdade, temos a crença de que há algo em nós que quer ser algo ou se tornar um iluminado?
CH: Não, na verdade não há nada para se iluminar, não há nada para querer. Essa luz brilha sempre, infinitamente. A felicidade nunca pode ser entendida ou alcançada a partir de um determinado ponto de vista. Assim como o amor, a felicidade não pode ser apenas mais um conceito pré-determinado. Conceitos apenas podem apontar para algo que já é realizado. No fundo, portanto tudo já É absolutamente realizado e pleno.

Você nunca conseguirá encontrar o que você  é! Já está aí! Os momentos são feitos apenas de experiênciasComo poderia uma experiência jamais ser capaz de olhar para experimentar, para então julgar se há algo a ela ou não? A iluminação é antes de tudo, ser capaz de ver que você está experimentando a indefinição em si, e, em seguida, ser capaz de ver que você nunca poderá ser uma experiência. Então, mais cedo ou mais tarde pode vir à tona que as experiências no fundo não existem, e sim somente aquele quem experimenta.
[Chuck Hillig]

domingo, 12 de junho de 2011

Todo desejo é um desejo de voltar para Casa


Você estava dizendo ontem que a própria busca, seja ela qual for, impede a gente de VER verdadeiramente - ou seja - trata-se apenas de um jogo brilhante de aparências e de desvios de atenção... essa forma de ver as coisas acontecer ajuda-nos a dar uma compreensão de como TUDO provém da mesma fonte. 

TP: Sim, é da mesma fonte, sempre é. Isto acontece pelo fato das aparências julgar não querer ser o mesmo - ou achar que não é da mesma fonte.

Mas isto é apenas um jogo - ou um jogo que é chamado de Jogo Divino ou Brincadeira Divina de ... 

TP: Sim, e é absolutamente o Jogo Divino do Ser. E o Ser não é, e nem está nenhum pouco interessado na ideia de alguém que observa ISTO ou não, porque não há nada que não seja... a própria não-realização também está "sendo" ISTO. Assim, ISTO aparentemente sofre, ri, busca, encontra, e não encontra. E não há nada além disto. E, claro, ao mesmo tempo, tudo ISTO é totalmente imaculado, completo - porque só existe ISTO de modo que é TUDO que existe e nada mais. SER não tem, nem procura por nenhuma exigência. Mas acontece que surge no SER uma aparente necessidade e obrigação de achar que há necessidade e exigência.

E o mistério do que é incontestável - é apenas um mistério.

TP: E também a busca que se reflete no mundo em que vivemos, porque tudo o que fazemos é uma busca para isso. Toda religião, todo o esforço aparentemente pessoal, é simplesmente uma busca para esse desconhecimento.

É uma forma de resolução de atenção, de sentimento de separação?

TP: É uma busca para não se sentir separado de algo. O buscador não pode ver ISTO, porque ISTO é atemporal - ISTO é o Ser Eterno, que está fora do tempo, fora do espaço, fora de ser viável para alguém. Então o que tentamos atingir não pode ser alcançado porque ele já é tudo que existe.

É meio difícil de perceber e aceitar ISTO - algo que eu tenho dificuldade em aceitar é que a busca espiritual não é nem melhor, nem maior, nem mais refinada do que a busca por dinheiro, poder, sexo ou qualquer outra coisa. 

TP: Absolutamente. Todo desejo no final das contas, é finalmente um desejo de busca para voltar para casa. E o que é estranho sobre esse paradoxo, esse mistério, é que tudo que está sendo feito - todos os buscadores, todo esse esforço pessoal, toda a construção de igrejas e impérios, é pura vitalidade. É um paradoxo incrivelmente estranho.

Em alguns textos antigos védicos, ou algo assim, não há nada disso sobre o que É, ou sobre o porquê disso tudo. Quer dizer, eu sei que o "Bhagavad Gita", diz apenas que é uma experiência ... 

TP: Não, não há razão e não há nenhuma experiência e não há nenhuma escolha. A base do argumento tradicional é que a unidade escolheu tornar-se dois, e se a unidade fez uma escolha para se tornar dois, poderia até fazer uma escolha para se tornar uno novamente. É um conto de fadas baseado na ilusão de tempo causa e efeito. Nada jamais pode ser escolhido. O sonho de toda escolha e motivação é que há algo no momento em que pode avançar com a intenção de um lugar chamado duplicidade para um lugar chamado unidade. Nunca houve nada, apenas há o SER, e ISTO é o eterno nada e o tudo ao mesmo tempo. Não vai para lugar nenhum e nunca foi em qualquer lugar. Não há qualquer lugar. Não há tempo ou espaço, exceto na aparência. Não há nada, mas apenas ISTO, e ISTO não é nada acontecendo.

E vejo agora que esta questão surge a partir do ponto de vista de separação e por isso acaba sendo inerente a duplicidade, de forma inquestionável. Trata-se apenas de uma questão sem resposta, mas isso acontece porque é a partir do ponto de vista da separação. O que é melhor é que nos vislumbres da totalidade não há dúvida algumaHá apenas uma ausência de necessidade de não ter que saber nada, porque simplesmente É ISTO acontecendo. Então essa pergunta surge como um "laço".

TP: Sim, um laço que tem toda razão, que engendra a separação e o "por quê" e sente a necessidade de procurar por algo. E como você diz, quando não há ninguém, não há nenhum laço e não há dúvidas. Não há nenhuma pergunta e não há nehuma necessidade de respostas. Não há conhecedor e muito menos nenhum conhecido ... e assim não há ninguém para perguntar "porquê".

Mas é a pergunta mais atraente dentro desse ponto de vista.

TP: Ah, sim!. É, e estando em separação, adora perguntar "por quê". E assim esse fascínio todo tem gerado as religiões. A questão de porquê o buscador segue o cristianismo, o budismo, etc, e tudo o que você poderia chamar de um ensino que busca tornar-se ALGO, é inevitável, e é baseado no equívoco fundamental de um indivíduo que se sente separado com a escolha e a vontade de seguir um caminho, ou seja, na eterna ilusão da busca de ser motivado a mudar de um estado para outro, para um melhor estado, para buscar e encontrar a resposta que não gere nenhuma dúvida.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tudo é a Vontade de Deus acontecendo


Então, questionaram Ramesh Balsekar:  

WIE : Pode descrever para nós o que é que ensina?  
RB : Posso realmente resumi-lo numa só frase. A frase na qual meu ensinamento inteiro é baseado é: "Seja feita a tua vontade". Ou, como dizem os muçulmanos, “Inshallah ", A Vontade de Deus." Ou nas palavras do Buddha: "Os eventos acontecem, ações são feitas, não tem nenhum individuo que age”.Veja, o conflito básico na vida é: "eu sempre faço tudo direito então quero minha recompensa, ele ou ela sempre fazem algo errado então deveriam ser punidos". Essa é a vida, não é assim?

WIE : Bem, certamente acontece muito.  

RB : Essa é a base daquilo que eu observei. O problema inteiro surge porque alguém diz , “Eu fiz algo e portanto mereço uma recompensa, ou ele fez algo e portanto eu quero puni-lo pelo que ele fez".

WIE : Como leva as pessoas compreender isso, que não há aquele que age?  

RB : Isso é muito simples. Se analisar qualquer ação que você considera ser sua ação, você vai descobrir que é uma reação do cérebro a um evento externo sobre o qual você não tem nenhum controle. Um pensamento vem - você não tem nenhum controle sobre o pensamento que chega. Algo é visto ou é ouvido - você não tem nenhum controle sobre o que você verá ou ouvirá em seguida. Todos os esses eventos acontecem sem teu controle. E então o que acontece? O cérebro reage ao que pensou ou à coisa que é vista, ouvida, provada, cheirada ou tocada. A reação do cérebro é o que você chama "sua ação." Mas, de fato, isto é meramente um conceito.

WIE : Qual é a diferença então entre os pensamentos, sensações e ações de uma pessoa iluminada e de pessoa não iluminada ?  
RB : Acontece a mesma coisa. A única diferença é que, no caso do sábio, ele entende que é isso que acontece. Portanto ele sabe que não há nada que ele esteja fazendo, as coisas simplesmente acontecem. O sábio sabe que "eu não faço nada." Mas o homem comum diz, "faço coisas ou fazem coisas. Portanto quero minha recompensa e quero que eles sejam punidos." A recompensa ou castigo dependem da idéia que eu, ele ou ela fazemos coisas.

WIE : Posso entender através de minha própria experiência que nós não temos qualquer controle sobre qual pensamentos nem sentimentos que surgem. Mas às vezes uma ação segue outra, às vezes não, e me parece que existe uma grande diferença entre quando um pensamento meramente surge e quando é empreendida uma ação que envolve uma outra pessoa.  

RB : A ação que acontece é o resultado da reação do cérebro ao pensamento. Se é, é simplesmente a testemunha do pensamento e o cérebro não reage àquele pensamento, então não há nenhuma ação.

WIE : Mas se, como você diz, não há ninguém que decide como responder, então o que é que causa o manifestar-se de uma ação?  

RB : Uma ação acontece se for vontade de Deus que aconteça. Se não está em sua vontade, a ação não acontece.

WIE : Quer dizer que cada ação acontece por vontade de Deus?  

RB : Sim, é a vontade de Deus.

sábado, 9 de abril de 2011

O que é ISTO que tudo vê?


Q: Você pode me explicar melhor o que você quer dizer com O QUE É que está nos 'VENDO'? Ou o que é que tudo VÊ? O que é ISTO?
R: A visão última é a Consciência Universal, que está a assistir tudo em você (perfeitamente cognitivo, a percepção real) aqui agora neste exato momento.

Outro nome para este VER é o ordinário, a CONSCIÊNCIA 
cotidiana. Este VER ordinário da consciência cotidiana não é nada novo, porque ele sempre esteve lá e sempre vai estar. E aqui neste exato momento, você não pode estar consciente de qualquer coisa sem este VERELE está  o tempo todo e você deveria saber isso tão bem ... ISTO é a testemunha de cada pensamento, emoção, sensação, sonho, etc, que está sempre "infiltrado em 'você'".

E é este VER que é o eternamente 'você' ... que nunca nasceu e nunca poderá morrer. ESTE é o verdadeiro VOCÊ.

Q: Eu não entendo, você quer dizer que é como 'ver' fisicamente?

R: NÃO. Este VER não é o mesmo que 'ver' fisicamente ou com a visão de seus olhos. Este VER é o que está consciente de tudo, inclusive da sua visão física. É o que vê (ou percebeTODOS os seus pensamentos e experiências que acontecem para você. É aquele que é UM, 'único' e apenas percebe tudo. E que não há nem um SEGUNDO.

Q: Eu não tenho certeza se estou entendendo.
R:
 Sente-se ali e feche os olhos por um momento e permita que os pensamentos ocorram.

R: Ok, agora você pode abrir seus olhos. Você sabe como você pode "ver" ... estava"conscientes de", e perceberam esses pensamentos? Bem, isto é o VER. E este VER é o que "vê" 
naturalmente todas as experiências.

Q: E você pode explicar o que você quer dizer com este Agora?

R: Tudo acontece no Agora. O verdadeiro você, real, que é o que vê, que é ESTE VER, está brilhando aqui e agora. Pensamentos só pode acontecer um por um, diante daquele que VÊ, instantaneamenteEles não podem acontecer no "passado" ou no "futuro", porque o "passado" e o "futuro" não existem na realidade. O que vocês chamam de "passado" "futuro" são apenas ideias e pensamentos sobre o "passado" e o "futuro" distante que estão sendo experimentados por este VER aqui agora. NESTE INSTANTE contínuo ou no ponto do agora é onde a vida sempre acontece.


Seeing the Essence

domingo, 13 de março de 2011

Não há nada para se obter ou saber

  TP: Não há "ninguém" que possa fazer alguma coisa e não há "nada" que precisa ser feito ou que necessariamente precisa ser conhecido! Nunca houve ninguém a fazer nada. O equívoco disso tudo e que nos mantém firmes é a ideia de que devemos fazer algo ou a ideia de que "nós" precisamos fazer alguma coisa. Por que precisamos fazer alguma coisa? Tudo É apenas o que está acontecendo. Tudo é imaculadamente completo e sem necessidade.

Então, do que devemos estar cientes? 

TP: De nada (risos). Aqui está novamente a ideia da obrigação de ter que estar ciente, que no fundo, é um estado transitório. Tudo é apenas o que está acontecendo. A ideia de ter que estar ciente de algo é uma armadilha. A consciência da necessidade de que precisamos de outra(a) pertence a história do dualismo... na verdade, não há outro. 

Mas o que está acontecendo muda o tempo todo, ela muda de segundo a segundo. Isto não é constante. 

TP: Sim. Certamente parece mudar, mas tudo apenas "parece" mudar ou parece ser diferente ou parece estar à parte de tudo que é. Tudo o que acontece está aparentemente mudando ou acontecendo. 

Então, onde está a constância dos fatos? 

TP: O que é constante é o Ser, e ISTO está em toda parte e em todos os lugares ao mesmo tempo. O que está acontecendo é que está surgindo e se movimentando o tempo todo. E o SER é tudo o que existe. 

E onde eu estou em relação ao que está acontecendo? 

TP: Você não é. Não há ninguém aí. Não há nenhuma relação, nenhum tipo de relacionamento. Tudo o que há, está na ideia de um "eu" que surge no SER. 

Hmm-mm (risos). Bem, e qual é o valor de saber isso? 

TP: Nada mesmo. Não há absolutamente nada a oferecer aqui. Não há nenhum valor, nada está em oferta. A coisa mais surpreendente que possa advir disto não é nada. Se você sair daqui com algo, então você ainda está se identificando com alguém e com alguma coisa"Agora eu tenho isso. Este negócio é meu para fazer algo com". Se há uma audiência real ouvindo isto, é para ser visto que não há nada para se obter ou saber. Será apenas aparentemente o que está acontecendo.


Não há lugar algum para ir. Não há nenhum objetivo. Não há prêmio algum. Tudo o que há de ser, é ISTO. Mas a diferença entre apenas SER o que está acontecendo e a verdadeira noção de que ISTO está acontecendo com você, é imensurável.


Tony Parsons (Book Extracts)

quarta-feira, 9 de março de 2011

O sofrimento só existe porque você se identifica com ele

  Para que serve a não-dualidade, descrita como "certo x errado", "bom x mau", "bonito x feio".... e como tudo isso se encaixa na dissolução do sofrimento?

Não existe uma resposta, pois a não-dualidade não "serve" absolutamente para nada. O que existe é APENAS a VERDADE. E a verdade é que todas as coisas assim chamadas "más" nunca aconteceram para um "você". Assim como as coisas assim chamadas "boas" também nunca aconteceram para um outro 
"você". 

Quem você É realmente, é espiritual em substância. Não há verdade na matéria. O seu verdadeiro Ser é totalmente benígno e perfeito. Você não tem um "ego" humano. E não ter um "ego", significa não ter sofrimento, pois o sofrimento só existe quando há um "corpo-mente" identificado pelo "eu" para sofrer.



Mandi Solk (adaptado)

O que é Yoga?

   Definir o termo "yoga" pode ser tão difícil quanto querer relativizar o Absoluto, assim como quando queremos definir Deus ou Amor. As razões desta comparação podem ser encontradas na tradução da raiz sânscrita "yug" que significa, segundo Iyengar (1966): "atar", "reunir", "ligar", "unir". Mas atar o que? Reunir o que? Unir o que? O mesmo autor apresenta como sendo a "verdadeira união de nossa vontade com a vontade de Deus", representando todas as forças do corpo, da mente e da alma com Deus.


Para todos nós, ansiosos por uma paz mais verdadeira e profunda, a yoga inclui uma disciplina que exige esforço. Todo yogue, toda yoguine, que se esforça deliberadamente para controlar a sua mente, o ego e o intelecto, na base da prática sincera e da humildade, todos são recompensados por uma realização mais plena e duradoura.


Interessante é observar que na prática de yogasanas, todo nosso esforço acontece fisicamente para "separar" os membros superiores dos inferiores, esticar lado direito, alongar o lado esquerdo, girar, crescer. Evidentemente, com bastante sentido, tudo isso acontece na prática com ação no plano sutil, pois para "unirmos", é preciso conhecermos o que está "separado". E, os asanas acabam tendo como finalidade este encontro, do corpo com a mente, da mente com o espírito, do espírito com Deus. 


Yoga chitta vrtti nirodhah é o aforismo do primeiro capítulo dos Yoga Sutras de Patanjali que descreve a yoga como: a cessação (supressão) das flutuações (modificações) da mente (consciência). Então, yoga pode significar também um método segundo qual a mente incansável, descansa ou é acalmada, a partir do direcionamento dos pensamentos para canais sutis, representando a dissolução ou a amenização dos conflitos existentes neste estado pensante.


A prática de yogasanas pode nos revelar também momentos de libertação, a partir do contato mental com as sensações agradáveis e desagradáveis que o asana proporciona no corpo. Na observação dessas sensações do corpo, de forma consciente e sem reações impulsivas diante do (des)conforto provocado pelo asana, pode-se purificar a mente, se libertando dos samkaras, dos condicionamentos e das amarras e pregações mentais. A atitude não-reativa ajuda na purificação da mente, devido nossa ação consciente ser movida pelo momento presente, pelo aqui agora.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A verdadeira felicidade só é possível quando a mente está estável

 Estados de felicidade plena podem ser alcançados, desde que não haja identificação e/ou envolvimento da mente nesses estados. 

Durante satsangs realizados na India, Nisargadatta Maharaj (M) responde dúvidas, conforme elas surgem apontadas por um Questionador (Q) curioso e interessado.

Q: Quando criança, eu freqüentemente experimentava estados de completa felicidade, chegando ao êxtase. Mais tarde, eles cessaram. Mas desde que vim para a Índia eles reapareceram, principalmente depois que o encontrei. Ainda assim, esses estados, embora maravilhosos, não são duradouros. Eles vão e vêm sem que eu saiba quando voltarão. 

M: Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável? 

Q: Então como posso tornar minha mente estável? 

M: Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É da natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente. 

Q: Como se faz isso? 

M: Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez a mente quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte

Q: Posso evitar esta batalha com minha mente? 

M: Sim, você pode. Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira. 

Q: Bem, então eu posso também me casar, ter filhos, tocar um negócio... ser feliz.

M: Certamente. Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua

Q: Bem, eu quero a felicidade. 

M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do self e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu Ser real (swarupa) e tudo mais virá com ele. 

Q: Se o meu verdadeiro self é paz e amor, por que ele é tão inquieto, tão agitado? 

M: Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo do Self na mente, parece mutável. Mas essas ideias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas relacionadas na mente. O Self está além da mente, consciente, e sem qualquer envolvimento. 

Q: Como alcançá-lo? 

M: Você é o Self, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva, não se identifique com as situações da vida e você irá perceber que permanecer alerta mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real (adaptado).

(Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That)

Review

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