quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O livre-arbítrio existe?

Então, quando Bhagavan Ramana Maharshi, abandonou o lar em pleno auge de sua juventude, sua mãe foi procurá-lo, buscá-lo e, quando ela o encontrou ele estava em mauna (silêncio absoluto). Na ocasião, ouvindo o pedido de sua mãe para que ele voltasse para casa, ele escreveu a seguinte resposta em um papel:


                      "O Ordenador controla o destino das almas de acordo com o seu prarabdha karma (karma a ser trabalho nesta vida, resultante de ações de vidas passadas). O que quer que esteja destinado a não acontecer não irá acontecer, por mais que você se esforce. O que quer que esteja destinado a acontecer, irá acontecer, não importando o que você faça para evitá-lo. Isso é certo. Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio".


[Uma forma concisa de uma pergunta que lhe faziam com freqüência e sua resposta típica no sentido de que não apenas explicava a teoria, mas também prescrevia o que devemos fazer].


D: Existe predestinação? E se o que está destinado a acontecer irá acontecer de qualquer maneira, há alguma utilidade em orar ou nos esforçarmos, ou simplesmente deveríamos ficar inertes?


B: Só há duas maneiras de conquistar o destino ou ser independente dele. Uma é investigar quem está submetido a esse destino e descobrir que é apenas o ego que está preso a ele e não o Eu Real, e que o ego é não-existente. A outra forma é matar o ego através da entrega absoluta a Deus, compreendendo sua própria impotência e dizendo em todos os momentos: "Não eu, mas Vós, Oh meu Senhor", assim renunciando todo sentimento de "eu" e "meu", e deixando que Deus faça o que quiser com você. A entrega não é completa enquanto o devoto ainda espera algo em troca dela. A verdadeira entrega é amar a Deus pelo próprio amor, e não a fim de ganhar outra coisa, nem mesmo a salvação. Em outras palavras para conquistar o destino é preciso apagar o ego completamente, quer você faça isso por meio da auto-inquirição (atma-vichara) ou por meio do caminho da devoção (bhakti-marga).


[Na realidade, às vezes, algumas questões respondidas pareciam contraditórias. No entanto, os ensinamentos de Bhagavan expõem que a individualidade possui apenas uma existência ilusória. Enquanto a pessoa imaginar que tem uma individualidade ela também imaginará que esta possui livre arbítrio. Ambos coexistem. (...) No nível do advaita ou não-dualidade, o ego não tem livre-arbítrio, pois não há ego; mas a nível da realidade aparente o ego consiste de livre-arbítrio, ou seja, é a ilusão do livre-arbítrio que cria a ilusão da existência do ego].


Da Teoria à Prática: é isso! 
Questione-se inteiramente ou entregue-se absolutamente... diante de tudo isso, nos resta descobrir qual é o nosso único propósito... para QUEM surgem essas questões ou se entregar totalmente e ficar em paz.

Livro: Os Ensinamentos de Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras
Editora Advaita (Arthur Osborne)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Eu não sou o que penso ser..

Presos apegados em algum pensamento desagradável é um tremendo infortúnio. Nada disso faz sentido na criação daquilo que somos verdadeiramente. A única mudança cabível que podemos fazer, se é algo que podemos mudar, de fato, é e está naquilo que pensamos. Diferente do depois, que não está em nossas mãos e que não depende de nada de nós, é assim.

Se liga no vídeo e presta bem atenção.

Talvez não seja tão simples assim ou,
é tão simples assim e complicamos tanto sim.

Por quê?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Flash Mob: Meditação e Yoga

E quando todos menos esperavam, estávamos ali sentados em posição de meditação bem no meio do salão da Feira do Verde, Praça do Papa, Vitória-ES, em 14/11/2009.



Flash Mob's como este são possíveis graças a mobilização individual que se torna coletiva. A presença de cada um possui tamanha importância que a união dos esforços garante o resultado. Embora especificamente esta ação tenha um conteúdo mais sutil a transmitir, o conjunto e a soma de cada um amplificou literalmente a potência no local, visto que dava pra sentir no ar os olhos das pessoas e a sensação pós-participação.

Ao todo foram aproximadamente 10 minutos de ação, distribuídos em 6 atividades: aglomeração, meditação, mantra om, pranayama, saudação ao sol e dispersão. Foram mais de 50 pessoas participando, sendo que muitas delas se juntaram espontaneamente àqueles que já sabiam da ação. Foi lindo ver tudo ali acontecendo, naturalmente!

Para saber mais sobre esta ação, clique: União Zen.
E para sentir como foi a ação em fotos e em vídeo, clique: Flash Mob: União Zen.

Om.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O eu ilusório e o Eu Real

Às vezes, ou quase sempre, é difícil a compreensão direta acerca do nosso "eu" ilusório (ego) e do nosso Eu Real. O entendimento que temos de um e do outro tornam-se limites extremos quando tentamos encontrá-los, no entanto, devemos nos esforçar na auto-investigação, percebendo que não pode haver dois "eus". Quer dizer, podem existir milhares de falsos "eus", mas que não tem, absolutamente, nada a ver com o nosso Eu Real.

Ramana Maharshi, em conversa e ensinamentos com seus discípulos, explica claramente este assunto, deixando explícito que a única Verdade é o Eu Real.


D: Quando eu procuro o "eu", eu não vejo nada.
B: Você diz isso porque você está acostumado a identificar o seu eu com o seu corpo e a sua visão com os olhos. O que existe para ser visto? E por quem? E como? Existe apenas uma Consciência e Esta, quando se identifica com o corpo, projeta a si mesma através dos olhos e vê os objetos a sua volta. O indivíduo está limitado ao estado de vigília; ele espera ver algo diferente e aceita a autoridade dos seus sentidos. Ele não vai aceitar que aquele que vê, os objetos vistos e, o ato de ver, são todas manifestações da mesma Consciência - o "Eu-Eu". A prática da meditação ajuda a superar a ilusão de que o Eu Real é alguma coisa (objetiva) para ser vista. Na verdade, não há nada para ver. Como você se reconhece agora? Você precisa de um espelho na sua frente para reconhecer a si mesmo? A consciência em si é o "eu". Realize-a e isto é a Verdade.

D: Quando eu investigo a origem dos pensamentos há a percepcão do "eu", mas isso não me satisfaz.
B: Exatamente. Isso acontece porque essa percepção de "eu" está associada a uma forma, talvez a forma do corpo físico. Mas nada deveria ser associado ao Eu Puro. O Eu Real é a Realidade Pura em cuja luz brilha o corpo, o ego, e tudo mais. Quando todos os pensamentos são aquietados sobra apenas a Pura Consciência.

Livro: Os Ensinamentos de Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras
Editora Advaita (Arthur Osborne)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bhajan: Beloved Ramesh Balsekar

Um mantra (*) lindíssimo, tamanha riqueza em conteúdo e profundidade. Não sei o nome, mas me lembro bem quando ouvi pela primeira vez. Um bhajan perfeito e, assim um despertar. Engraçado e maravilhoso como tudo acontece, inesperadamente tudo simplesmente surge.... e desaparece.

Em homenagem a Ramesh Balsekar (1917 - 2009), um dos maiores mestres dos Advaita Vedanta, com muito Amor e Gratidão.

(*) thank you for erinreese by the vídeo!




Acompanhe a letra original em Marathi, logo abaixo e, as traduções subseqüentes, em inglês e em português.

Marathi Language:

Namo Aadiroopa Omkaara Swaroopa
Vishwaachiya Roopa Maayabaapaa

Tuziyaa Sattene Tuze Guna Gaavoo
Tene Sukhi Raahu Sarvakaala

Toochi Shrotaa Toochi Vaktaa Jnaanaasi Anjana
Sarva Hone Jaane Tuzyaa Haati

Tuka Mhane Yethe
Naahi Mee Too Pana
Stavaave Te Kavana
Kavanaalaagi.

********************

English language:

My salutations to You,
who are beyond all forms
and who is the core of my Being

My salutations to the all pervading Consciousness
wich is the source of the entire manifestation.

By your Grace I will sing hymns praising You
and remain happy all the time.

I am totally convinced that both the talking
and listening happen by Your will.

Nothing can happen unless it is Your will.

********************

Portugues language:

Minhas saudações a Ti,
Quem está além de todas as formas,
e Quem É o núcleo de meu Ser

Minhas saudações a todos os que permeiam a Consciência
a qual é a Fonte de toda a manifestação.

Por tua Graça cantarei hinos louvando a Ti,
e continuar a ser feliz o tempo todo.

Estou totalmente convencido de que tanto o falar
quanto o ouvir acontecem por Sua vontade.
Nada pode acontecer a menos que seja a Sua vontade.

domingo, 15 de novembro de 2009

O ego realmente existe?

E perguntaram para Sri Bhagavan Ramana Maharshi:

D: E como o ego surge?
B: Não existe ego. Se existisse você teria que admitir a co-existência de dois "eus" em você. Portanto, também não existe ignorância. Se você investigar dentro do Eu*, a ignorância, que já é não-existente, vai ser vista como tal e então você dirá que ela sumiu.

Às vezes, o ouvinte tinha a impressão que a ausência de pensamentos é um mero "vazio mental", e por isso Bhagavan tinha o cuidado de alertá-los sobre esse ponto.

B: A ausência de pensamentos não significa um vazio. Alguém deve estar consciente desse vazio. Conhecimento e ignorância são duais e pertencem apenas à mente - o Eu Real está além de ambos. Ele é pura Luz. Não é necessário que um eu veja o outro. Não existem dois eus. O que não é o Eu é apenas não-Eu, e não pode ver o Eu. O Eu Real não possui visão ou audição, mas está além deles brilhando sozinho como pura Consciência.

(...)

B: O indivíduo que identifica a sua própria existência com a existência da vida no corpo físico, o torna como "eu", é chamado de ego. O Eu Real, que é Pura Consciência, não tem sentimento de ego ligado ao corpo. Nem pode o corpo físico, (...) ter esse sentimento de ego. Entre os dois, ou seja, entre o Eu ou Pura Consciência e o corpo físico, surge misteriosamente a sensação do ego, ou noção do "eu", este híbrido que não é nenhum dos dois e que floresce como ser individual. Este ego ou ser individual é a raiz de tudo o que é fútil e desagradável na vida. Por isso ele deve ser destruído por qualquer meio possível, então permanece apenas o brilho d'Aquilo que sempre É.

(*): em inglês, o termo usado para este Eu (com E maiúsculo) é Self ou Atma e refere-se ao Eu Real, ao Eu que não pode ser tocado, ao Eu que não se vê com os olhos e que permanece sempre Puro.


Os Ensinamentos de Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras.
Editora Advaita (Arthur Osborne)

domingo, 8 de novembro de 2009

Tudo é a Vontade Divina acontecendo

Enquanto me observo, percebo AQUELE que tudo vê e que permanece sempre o mesmo. Não indiferente às minhas ações, porque no fundo, a cada dia que passa, percebo que eu não faço absolutamente nada, exceto aquilo que é a Vontade de Deus. Isso tudo refere-se aquilo sobre QUEM está realmente no controle de tudo!

Lendo Ramesh Balsekar, começa a surgir um outro discernimento acerca de toda esta realidade. Incrível como tudo acontece e, como está escrito lá: "eventos acontecem, ações são feitas, mas não tem nenhum individuo que age"... difícil a compreesão, pois assim perdemos totalmente o livre-arbítrio!

Aos poucos, sinto que isso começa a fazer sentido gradualmente, principalmente após rever as mudanças que aconteceram comigo neste ano: isentas de um desejo profundo, mas movido por Algo... onde estou, o que faço e, portanto para onde vou, deve ser sempre a Vontade Divina... os caminhos estão lá, as pessoas, e a vida acontecendo e pronta para tudo!

"(...) aceite ou não, essa é a vontade de Deus (...) Que você aceite a vontade de Deus ou você não aceite a vontade de Deus, isso tambem é a vontade de Deus!" [Ramesh Balsekar]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deixe ser como quer seu Ser...

Tudo que me inclui e o que quer que eu incluo fazendo são experiências incríveis, mas talvez sejam apenas momentos bem próximos de quaisquer outros. Não importa muito o meu "fazer", porque este Ser permanece sempre intacto e puro. Talvez seja melhor apenas observar por detrás da tela mental, que distorce a realidade como ela é e não me identificar com ela.

Investigar por si só se é possível perceber o meu próprio Ser, que não se altera jamais, é o maior conforto que a existência pode me proporcionar.

Portanto, não me preocupo como foi ou como será, porque no fundo, tudo continua sereno e tranquilo.

sábado, 31 de outubro de 2009

Vivenciando a Potencialidade Pura

Nem sempre acontece ou, pode quase sempre acontecer, mas nem sempre estamos receptivos para que aconteça.

Durante um único final de semana, ou melhor, um único dia, vivenciei raros momentos. Ao lado de um mundo encantador, ativamos (ambos os mundos) um manancial de sincronicidades, de encantamento, de pureza, de paz, de amor puro e harmonia plena. Irei chamar este mundo de Vida.

Saí de casa, em Coqueiral-ES às 14h, a caminho do aeroporto de Vitória-ES. Vida estava previsto chegar às 16h. Cheguei às 15h em Vitória e resolvi dar uma passada antes na concessionária de veículos apenas para passar o tempo. Fiquei ali na loja exatamente 15 minutos e foi o tempo suficiente para que o pouso de Vida chegasse. Estacionei o carro às 15h30min. e assim Vida surgiu às 15h40min. Não precisamos nem pagar o estacionamento, pois estávamos dentro da tolerância dos 10 minutos. Avaliando o ocorrido, tudo casou, em perfeita sincronia, sem expectativas, sem anseios e sem receios, pois todo nosso tempo, juntos, e o espaço estavam ambos alinhados em ambos os mundos.

Então, Vida e eu seguimos viagem para um outro mundo, um mundo mais ao alto, mais no topo do céu. Fomos para uma "Ilha Francesa", ao lado de uma Pedra Azul enorme que quase encosta nas nuvens. Ali, fomos abençoados em cada minuto. A recepção nos levou para uma casitcha perto do futuro pomar. Tudo ali era cultivado sem o uso de agrotóxicos e, portanto organicamente cuidados. A vida dos alimentos era inspirada pela lua e pelas estações do ano. O processo de criação de cada plantio se revelava a partir da agricultura biodinâmica, onde tudo possuía um significado, tanto técnico-científico, quanto astrológico. Os sabores eram divinos e era possível sentir no ar cada cor, de cada sabor.

Então, eu e Vida estivemos tão presentes neste outro mundo encantador. Cheios de vida, nossos mundos estavam perfeitamente alinhados, como se fôssemos um único mundo, onde nada absolutamente ali era impossível: cada passo seguia o seu ritmo natural dentro do espaço da Ilha Francesa, naturalmente acontecendo sem quaisquer esforços, em cada inspiração e até mesmo em cada batida do nosso coração era igual. O amor aconteceu durante toda noite, assim, Vida e eu entregues um ao outro, mundos incrivelmente unidos em um único corpo, em uma única alma. O tempo parou e a eternidade se fez presente. Pela manhã, transcendentalmente fomos acolhidos por um café inesquecível, onde sentimos verdadeiramente o sabor de tudo, até mesmo da borboleta azul. E assim seguimos. O retorno, como muitas vezes acontece, não foi um "fim", tamanha era o nosso estado de presença. E perfeito foi o nosso silêncio, pois havia preenchimento, havia acolhimento. E, portanto sim, natural foi esta presença e assim a essência de cada um, de cada mundo acontecendo juntos, com absoluta confiança, sinceridade e entregando para a Criação a responsabilidade pela concretização de um momento único, sincero e verdadeiro.

Que assim seja o nosso ser, fluindo em milagres constantes da vida, minha Vida, meu amor, a todo instante. Obrigado sempre, gratidão eterna.

Hare om tat sat. Om.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mooji: Retiro de Silêncio (SP/SP: 09 a 12/10/2009)

Ao longo de 3 dias, me aconteceram estados de profunda integração. No limiar da presença do EU SOU, estar lado a lado de Mooji, me fez despertar algo inimaginável e intocável.

O retiro de silêncio, associado aos satsangs, foi uma oportunidade e tanta para esvaziar o máximo. Ao contrário do que se pensa, não havia mistérios, e muito menos exigências quanto ao conhecer. Como já previsto, perguntas e respostas foram surgindo. Em cada questionamento, Mooji se mantinha equanime, intocável e imerso em algo mais profundo. Minha percepção acerca do que havia ali veio a partir do próprio silêncio. Não era ele, Mooji, quem respondia. A resposta vinha de dentro, a partir de um estado absoluto de Presença. Havia integridade e Realidade. Dos poucos que conversei, todos notaram AlgO, principalmente após o segundo dia.

Quase sempre nossa mente interpreta e/ou cria resultados ilusórios acerca daquilo que vemos e sentimos, mas quando mudamos o foco, vem o abismo! Se pensar que isto é loucura, é a mente condicionada tentando afirmar. E assim, nesse estado de consciência, a partir do momento que se entrega sinceramente, naquela escuridão que a mente cria, surge uma Luz e aí, você inicia uma nova dimensão que, na verdade, não há como descrever aqui. Pois não há palavras para aquilo que não possui forma, para aquilo que está além. Buscar apenas observar Aquele que vê, observar bem Aquele que sente é o melhor que temos a fazer. Nisso, criamos espaços, nos desidentificamos com essa personalidade ilusória (amaldiçoada pelo passado).. e então, você percebe que sempre está em Casa! Nada está percebido!

Om!



Vídeo Completo Aqui!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Marco Schultz e Maha Satya Sangha (Vol. 2 e 3)

É com profunda gratidão e satisfação que venho divulgar o trabalho de Marco Schultz e Maha Satya Sangha (Vol. 2 e 3), com a seguinte agenda:

- 05 de novembro (quinta feira) em São Paulo
Local: Espaço Integração
End.: Rua São Francisco, 186 - Granja Viana
Hora: 20:30 hs
Mais informações: 11 4702 4838
www.espacointegracao.com.br

- 06 de novembro (sexta feira) em São Paulo
Local: Instituto Cultural DEP
End.: Rua Juréia, 349 (próx. ao metrô Santa Cruz)
Hora: 20:15 hs
Mais informações: 11 5084 1410
www.depsique.org.br

- 08 de novembro (domingo) no Rio de Janeiro
Local: Colégio Andrews
End.: Rua Visconde de Silva, 161 - Humaitá
Hora: 18:30 hs
Mais informações: 48 3232 1646

- 10 de novembro (terça feira) em São Sebastião, SP
Local: Teatro Municipal de São Sebastião
Hora: 20:00 hs
Mais informações: 12 9102 0408

- 12 de novembro (quinta feira) em Santos, SP
Mais informações em breve...

- 15 de novembro (domingo) em Campinas/Vinhedo, SP
Yoga no Mosteiro com Marco Schultz, Márcio Assumpção, Rosângela Bassoli e convidados
Local: Mosteiro São Bento em Vinhedo
Hora: 10:00 às 18:00 hs
Mais informações: 19 3254 7033 ou 3442 2223
www.instituto-yogaterapia.com.br

Segue uma palhinha das músicas. Inspira e segue! 

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

Toda felicidade vem da Consciência

P: A dor não é aceitável.
M: Por que não? Tente e você encontrará na dor uma alegria que o prazer não pode dar, pela simples razão que a aceitação da dor o leva mais intensamente que o prazer. O ser pessoal, por sua própria natureza, está continuamente perseguindo o prazer e evitando a dor. O fim deste padrão é o fim do ser. O fim do ser com seus desejos e medos lhe permite retornar a sua natureza real, a origem de toda felicidade e paz. O desejo permanente de prazer é o reflexo da harmonia interior eterna. (...)

P: Você aconselha evitar o prazer e aspirar a dor?
M: Não, nem aspirar o prazer, nem evitar a dor. Aceite ambos como chegam, aprecie-os enquanto durarem, deixe-os ir quando devem ir-se.

P: Como é possível apreciar a dor? A dor física pede ação.
M: Certamente. E assim é com a mental. A felicidade está na Consciência disto, em não se encolher ou, de qualquer modo, afastar-se. Toda a felicidade vem da Consciência. Quanto mais consciente somos, mais profunda é a alegria. A aceitação da dor, a não-resistência, a coragem e a paciência abrem profundas e permanentes fontes de felicidade real, verdadeira bem-aventurança.

P: Por que a dor deveria ser mais eficaz que a alegria?
M: O prazer é aceito prontamente, enquanto todos os poderes do ser rejeitam a dor. Como a aceitação da dor é a negação do ser, e o ser se interpõe no caminho da verdadeira felicidade, a aceitação total da dor libera o manancial da felicidade.

EU SOU AQUILO

Tat Twan Asi
Sri Nisargadatta Maharaj

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vipassana É

Tudo que você vê, ouve, toca, saboreia, cheira ou sente de alguma forma é um aspecto da Divindade.

É quando você julga que é outra coisa, que aquilo aparece como outra coisa em sua mente, em sua vida. Então, não julgue, e nem condene.

Pois aquilo que você julga, julga você; e aquilo que você condena condenará você. Mas o que você vê como o que realmente é, verá você como você realmente é. E nisto será encontrada a sua paz.

(N.D.Walsh)

domingo, 13 de setembro de 2009

Solitude do agora

Embora às vezes tudo parece caminhar solitariamente,
sinto uma Presença,
sem saber o que, apenas sinto.

Observo meus passos atentamente,
como um "vai" sem volta...
e como é bom saber que foi!
e que agora só resta O agOra.

sábado, 5 de setembro de 2009

Retiro na Montanha Encantada: 25/07/09 a 01/08/09

E a gente foi. Sem saber de nada.

Como parte do Curso de Aprofundamento em Yoga e Meditação, com Marco Schultz, na incerteza do próximo agOra tudo aconteceu de forma tão livre e tão natural neste retiro, em Garopaba, Florianópolis-SC, no Centro de Yoga Montanha Encantada. Todos ali (SP, RJ e FLN), presentes, atentos em cada movimento, em cada ensinamento: tivemos a oportunidade de vivenciar 7 dias de profunda integração! Integração em todos os sentidos: com a natureza, com as dificuldades, com o outro e assim, principalmente, consigo mesmo.

Em sintonia, fomos abençoados no início do retiro pela ordem do dia fora-do-tempo, observado pelo calendário lunar, em 25/07/09. Nada mais perfeito do que celebrar a arte da vida na pausa exatamente no início do retiro. Aliás, esse conceito "temporal", como é tudo tão relativo!

Amanhecer todos os dias em meditação realmente é uma das práticas mais misericordiosas que existe. Aliás, espiritual e politicamente falando, a prática de meditação é o único caminho onde não há críticas, onde só se fala bem, sob todos os aspectos, inclusive no meio científico. Por isso, a meditação pode ser um dos Verdadeiros Caminhos do Amor, sem regras, sem dogmas e idéias pré-concebidas.

Alinhado com o silêncio meditativo, 2 horas de práticas de yoga foram essenciais para o nosso despertar! Agora, imaginem só 108 Suryas em jejum! Não é pra qualquer um, não! Salve, salve, sangha!

E Graças aos 108 Suryas, o sOL, iluminado sOL apareceu e subimos a montanha! Silenciosamente, fomos caminhando, caminhando até mais e mais para cima, pra ficar mais e mais perto do céu. Dali, bem do alto, elevamos a nossa intenção e, apesar do frio, o esforço e a vontade da sangha fizeram valer a pena.


(clique para ampliar)

As pausas de mauna foram imprescindíveis. Estar e ser no silêncio ao lado do outro exige mais de si e exige um pouco mais de cuidado, um pouco mais de atenção, pois sendo você com você, fica tudo sendo seu: choro, grito, desespero, alegria, amor e sorriso. E basta o outro, para entrar em seu mundo e espelhar o que já está em você.

Tentei registrar outro momento, a fim de assoprar preces por estes nossos cantos e trazer um pouco de recordação transcendental. Dentre outras vivências, foi mágico! Om Tare Tuttare Ture Soha, flautas e tambores com Daniel Namkhay! A gravação tá bem tosca, mas vai assim mesmo, pelo som e pela vibe! Escuta, escuta e sente o uhuuuuuu... dá um PAUSE no Ipod!

video

Indescritível falar sobre tudo que vivenciamos ali: segue aqui um comentário que fiz pro nosso querido e amigo professor M.S.: "Sobre o retiro, não há muitas palavras para descrevê-lo. Todo silêncio já diz tudo. Pessoas em comunhão, partilhando de um mesmo propósito e tudo foi acolhimento sincero e união verdadeira".

É isso. Vamo que vamo... continuar no caminho, indo e vindo, sendo e acontecendo, não importando com o resultado.

Hare Om Tat Sat.


(clique para ampliar)

Imensidão ou Ilusão?

Não há nada que possa refletir o que sinto neste momento.
A vida é tão cheia de surpresas,
que me perco na imensidão,
ou na ilusão do barato de pensar que sou,
o que imagino ser.
e o que não é.

Às vezes, é melhor sacudir!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Como uma onda no mar



é isso: nada do que foi será!
e perceber isso é maravilhoso!
a vida indo e vindo...
sendo e acontecendo.

não adianta fugir.
é assim mesmo q tudo vem e se vai.
portanto, fique aqui, sempre aqui.
não se apegue...
pq nada é igual,
tudo muda,
seu mundo, meu mundo, nosso mundo...
tudo passa.

sábado, 29 de agosto de 2009

Desejos satisfeitos, mais desejos procriados

M: O que há de errado com seu mundo para que você tanto o xingue?
P: Ele é cheio de dor.

M: A natureza não é agradável nem dolorosa. É toda inteligência e beleza. O sofrimento e o prazer estão na mente. Mude sua escala de valores e tudo mudará. O prazer e o sofrimento são mera perturbação dos sentidos; trate-os igualmente e existirá apenas felicidade. O mundo é o q você faz dele; sem dúvida, faça-o feliz. Apenas o contentamento o pode fazer feliz. Desejos satisfeitos procriam mais desejos. Mantenha-se distante de todos os desejos e o contentamento que vem de si mesmo será um estado com muitos frutos, recheados de um estado puro de plenitude. Não desconfie de sua aparente esterilidade e vacuidade. Acredite em mim, é a satisfação do desejo que gera a miséria. A liberdade dos desejos é felicidade.

P: Há coisas que necessitamos.
M: O que virá a você, se não pede o que não necessita. Ainda assim, apenas poucas pessoas alcançam este estado de completa imparcialidade e desapego. É um estado muito elevado, o próprio limiar da liberação.

P: Tenho sido estéril durante os dois últimos anos, estive desolado e vazio e frequentemente pedi pela morte.
M: Bem, com sua vinda pra cá os acontecimentos começaram a funcionar. Deixe que as coisas aconteçam como elas querem acontecer, elas se ordenarão por si próprias no fim. Não precisa esforçar-se em direção ao futuro. Ele virá a você por si próprio. Durante algum tempo mais você permanecerá como um sonâmbulo, como você está agora, desprovido de significado e segurança; mas este período terminará e você achará seu trabalho frutífero e fácil. Há sempre momentos em quese sente vazio e estranho. Tais momentos são muito desejáveis pois significam que a alma se desfez de amarras e navega para lugares distantes. Este é o desapego: quando o velho terminou e o novo ainda não veio. Se você tem medo, o estado pode ser penoso; mas não há realmente nada a temer. Recorde da instrução: o que quer que você encontrar, vá além.

EU SOU AQUILO
Tat Twam Asi
Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj

sábado, 6 de junho de 2009

Que as Bençãos do Senhor caia sobre mim..

Tudo gira entorno do que É para o Bem Maior.
Sem entender o que se passa neste momento, aqui comigo.
Sem encontrar motivos, desnecessários.
Aspiro que seja para O Melhor, para todos...
Inspiro as bençãos do Agora,
Para que eu possa me fortalecer.
E permanecer firme, atento e presente.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Solitude

A alegria de estar "só"
nos permite compartilhar O Divino e
descobrir os Milagres da Vida.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Curso de Formação em Yoga e Meditação - Módulo 2

O módulo 2 do Curso de Aprofundamento em Meditação e Yoga, sob as orientações de Marco Schultz, aconteceu entre 18/04 e 19/04/2009 no Studio do Yoga Flow.

Como sempre do melhor, as práticas de meditação deram início ao módulo, a fim de proporcionar um maior estado de atenção. Iniciar a prática com a postura sentada e ereta, em lótus ou semi-lótus, exige esforços que vão além do habitual. Nosso costume caótico "no pensar", "no falar", "no movimentar", inibe o desejo de aquietar. Sinto que a cada dia precisamos criar mais e mais espaços, a fim de permitir um caminho mais livre e fluido.

Abrir mão das expectativas e das dificuldades.
Trazer em nossas vidas um maior nível de renúncia.

A sequência da aula foi sobre Yamas e Niyamas, como parte dos estudos tão necessários na busca pelo auto-conhecimento e caminhos espirituais. Entendo que o "mundo da Yoga", como qualquer outro mundo que visa a busca por um crescimento interior, exige mandamentos e preceitos a seguir. Cabe a cada um, querer entendê-lo e vivenciá-lo da melhor forma possível.

Como já existem inúmeras páginas que tratam do assunto, resolvi apenas resumir os 5 yamas e os 5 niyamas:

Yamas, como preceito para nos relacionarmos com o mundo exterior, sendo eles:

* ahimsa = não-violência
* satya = não mentir, dizer a verdade
* asteya = não roubar
* brahmacharya = monge celibatário, aquele que segue Deus
* aparigraha = não-possessividade, desapego

Niyamas, como preceito para nos relacionarmos consigo a partir do mundo interior, sendo eles:

* saucha = pureza, desintoxicação
* santosha = contentamento, aceitar a realidade como ela é
* tapas = vigor, austeridade, disciplina
* svadhyaya = auto-estudo, práticas formais
* isvara pranidhanani = imanifesto, Deus Absoluto Impessoal

As práticas seguiram e deram andamento ao 2o módulo de maneira muito expressiva, intensa e tecnicamente bem distribuídas, compostas por posturas terapêuticas e de alinhamento integrativo.

A questão não é não pensar, mas não se identificar com os pensamentos a fim de não se "intoxicar".
Contentamento não é estar contente momentaneamente, mas sim apreciar o belo em tudo, absolutamente em paz e em harmonia.
Estar além da identificação com o imediatismo.
Praticar o sadhana de dentro para fora.
Entregar as ações a um propósito maior que o pessoal, sem ansiedades e sem expectativas.
A idéia da meditação é estabelecer uma relação amigável com a experiência, independentemente de como ela se apresenta, fácil ou difícil.

Agradecimentos ao Enky, pelo envio de suas anotações, muito bem elaboradas.

In' lakech.
Namastê.
Om Shanti.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Pacha Mama

Pacha Mama é uma comunidade que visa expressar um estilo de vida espiritual e alternativo. A essência desta viagem espiritual é apoiada pela saúde consciente em práticas de convivência em harmonia com a natureza. São incentivadas meditações, oficinas, silêncio e celebração. Pacha Mama é um Templo de Transformação, projetado para contestar e abraçar. Trata-se de antecipar uma profundidade na experiência da vida em sua totalidade, seja sorrindo ou chorando, na vivacidade da união ou do silêncio da solitude. A aldeia está situada em um vale arborizado na costa do Oceano Pacífico, na Costa Rica. Ligue o som!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Inspire, expire...

A respiração da Terra pode ser sentida e observada. Não precisamos de muito para apreciar a beleza de sua pulsação, tanto na inspiração quanto na expiração. Subir e descer... crescer e diminuir... tudo é muito mais além do que possamos imaginar e, somos muito mais parecidos do que se pensa. A natureza é perfeita. E, para que essa ritmo possa continuar, precisamos repensar muito o nosso estilo de vida, em todos os sentidos. Ligue o som!

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terça-feira, 31 de março de 2009

Curso de Formação Simples.Mente Yoga

Agora, de fato, iniciei o Curso de Formação e Aprofundamento em Yoga e Meditação, com Marco Schultz. Diferentemente do que eu tinha imaginado, tracei caminhos que se desfizeram ao longo da última semana de inscrição. Nem FMU, nem Narayana, nem Aruna. Nada contra nenhuma delas. Pelo contrário, somente boas referências. Mas Incrível. Embora com apenas 1 semana de curso, tudo tem caminhado da melhor forma possível. Não há como não ser diferente, pois acredito na vontade divina como sendo aquela que É A melhor para mim e para todos.

O curso inicia-se na noite de 6a-feira. Uma roda com elementos xamâmicos tornaram as preces individuais como um poder energizante capaz de tornar todos ali em processo de comunhão. Acredito que isto toma efeito a partir do momento que nos conectamos com a força da Terra e da vibração silenciosa entre um grupo com mesma intenção em aperfeiçoar o caráter individual e, consequentemente, coletivo.

No sábado pela manhã, ensinamentos que intensificam o estado de presença:

Meditação é o retorno do efeito para a causa.
A idéia é estar presente, atento e ser responsável.
A maioria das guerras se dá em função das diferenças de opiniões, provocadas pelo ego (principalmente no âmbito religioso e político).
Deus, a Potencialidade Pura, não pode ser objetivado.
Meditação como atenção na ação.
Disciplina como realização de dentro para fora e não como obrigação de fora para dentro.
A idéia é abrir mão de quaisquer expectativas e interesses.
O que causa sofrimento é o apego ao desejo.
Quem é este aspecto da nossa existência que fica projetando, fazendo julgamentos, querendo tornar a realidade diferente de como ela é? O ego, que manipula e distorce a realidade e que nunca se satisfaz.
Assumir de uma vez por todas a responsabilidade pela tua própria vida.
Não há nada que não seja divino e bem vindo.
O estado de entrega foge do controle do personagem e se distribui ou dissolve-se na ação pelo Divino.
Ser conduzido ao invés de conduzir.
Abrir mão dos direitos para focar a atenção no nosso dever (dharma).
O segredo é aprender a relacionar-se com o aspecto dual da vida.
Cumprir com o dharma é fazer o que tem que ser feito, sem apegos.
Expandir a consciência para o Todo, ao invés de se indentificar com a parte.
É na formalidade do sadhana que adquirimos um maior estado de presença.

Em continuidade, as práticas foram tão intensas e seguras, com paradas necessárias para explicações técnicas detalhadas em cada asana, demonstrados a partir dos próprios alunos ou pelo próprio professor. Percebi uma didática acessível e de alcance ao método ensinado. Tudo capaz de mover a minha trajetória ao longo do caminho da Yoga como um dever particular em fluir para um estado de consciência mais maduro, atento e direto.

Namastê.
Om shanti.

domingo, 22 de março de 2009

MP3: mantras, new age

Aos poucos, o link abaixo irá deixar disponível alguns MP3's, com exclusividade para músicas relacionadas a espiritualidade, xamanismo, meditação, mantras e cantos devocionais.

My 4shared: MP3 para meditação e mantras

Em busca daquilo que já é

É. É realmente um tanto doloroso observar a "história do mundo" acontecendo como uma realidade que parece ser infindável. Independente disto, estamos inseridos neste contexto e esta é a nossa realidade, por mais mental que seja. A diferença está no modo de observar como as coisas são e não se apegar a elas. Talvez este aprendizado seja o melhor para mim, uma vez que tbm me questiono demais e me vejo preso às condições impostas, principalmente pela caótica situação que envolve este contexto sócio-político e econômico.

Um exercício diário que me traz um certo conforto é realizar tudo "sem controle", ou melhor, fazer tudo como sendo uma obra divina, um despertar interior. Na verdade, não é nada fácil, pois entramos no samsara das angústias e desejos do ego, e isto, atrapalha bastante. Também penso na questão do trabalho "escravo assalariado" e isto, de certa forma, corrompe meu sistema interno, que está repleto de "intenções" que vão além deste mundo e que são de certa forma, um pouco anarquista em sua trajetória, embora não evidente.

Como viajante planetário, viver pensando que tudo isto é real é a maior das ilusões. Por isso, sinto que chegará o momento em que a descoberta será repleta de valores amorosos e harmoniosos, sem tantas dúvidas, conflitos e desejos pelo externo. Desta forma, o caminho da meditação é aquele que mais me atrai rumo ao processo de auto-conhecimento e realização interior.

Na real, acho que o principal de tudo mesmo nesse processo divino é procurar não se apegar muito às idéias, independente se são anti-mercado, se são hegemônicas em seu conceito ou se são admiráveis em sua essência, porque no fundo todas elas são só idéias ou conceitos impregnados pela sociedade (seja moral ou anterior a ela) e pela nossa mente insaciável de desejos e medos.

Se desejar conhecer uma técnica de meditação profunda e transformadora, visite:
http://www.dhamma.org/pt/

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Atenção plena nas sensações e emoções

Introdução e meditação guiada
por Ayya Khema

Somente para distribuição gratuita. Este trabalho pode ser impresso para distribuição gratuita.Este trabalho pode ser re-formatado e distribuído para uso em computadores e redes de computadores contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuição ou uso.De outra forma todos os direitos estão reservados.

Mensagem da tradutora para o Português

Já faz alguns anos quando pela primeira vez, durante um retiro, o falecido monge Birmanês Rewata Dhamma expôs para o nosso grupo a meditação da varredura, a minha primeira reação foi – não gostei. Usei o método algumas vezes, sempre com restrições, e acabei abandonando-o por completo. Até que no ano passado, num retiro longo de jhanas, liderado pelo Leigh Brasington, (discípulo sênior norte-americano da falecida mestra Ayya Khema, autorizado por ela a ensinar os jhanas), voltei a ouvir sobre esse método e ele não só enfatizava a sua prática, como a recomendava principalmente para aqueles que sentiram algum tipo de aversão por ela. Assim, por insistência dele, nesse retiro, acabei incorporando esse método às minhas meditações diárias, e o resultado foi que a minha concentração deu um salto qualitativo, não só imediatamente depois de cada varredura, mas durante o dia todo. É claro que quanto mais o praticarmos, mais aparentes serão os seus efeitos. A purificação das emoções torna os pensamentos mais compreensíveis e com isso, a mente se tranquiliza e a meditação se torna menos árida e mais atrativa.

Saí do retiro com a idéia de traduzir esta meditação guiada e disponibilizá-la no Acesso ao Insight para que outras pessoas também pudessem se beneficiar. (Yvone Beisert)

Algumas dicas do professor Leigh Brasington

Coloque a sua atenção numa área pequena, de mais ou menos 4 cms de diâmetro.
Se, no início, ao colocar a sua atenção no topo da cabeça, a concentração estiver fraca e você não puder sentir nenhuma sensação, depois de colocar a sua atenção ali, mova-a para a parede à sua esquerda e em seguida volte ao topo da cabeça. Mova a sua atenção deste modo várias vezes. Se você perder a concentração no meio da varredura, vá para o ponto onde você sentiu alguma sensação e mova a sua atenção para a parede à sua direita, mova-a várias vezes até sentir a concentração recuperada. Faça a varredura no corpo todo em não menos do que 30 minutos e no máximo 50 minutos, para que ela não se torne maçante.

Se sentir náusea durante a varredura, é por que você está eliminando lixo emocional do passado, é muito bom sinal.

Texto de Ayya Khema - Introdução

Esse método de meditação é com frequência chamado de vipassan­a, mas esse é na verdade um nome incorreto, porque vipassan­a significa “insight”. Não se pode dizer que um método é insight; insight se manifesta com a claridade da mente. Portanto, nós comumente o chamamos de “varredura”, porém não devemos fazer nenhuma conexão com uma vassoura. A “varredura” que vamos fazer é chamada “parte por parte.”

Em um aspecto, esse é um método de purificação. Porque o caminho todo do Buda é o da purificação, e qualquer coisa que possamos usar para nos ajudar ao longo dele é uma ajuda bem-vinda. Esse método de purificação é bem específico e se torna claro quando nos lembramos que nossas reações físicas às nossas emoções são constantes e imediatas e que somos incapazes de pará-las. Se estamos felizes, que é uma emoção, nós provavelmente sorrimos ou damos risada. Se estamos infelizes, nós provavelmente choramos ou fazemos uma cara infeliz, ou franzimos as sombrancelhas. Se estamos zangados, podemos ficar vermelhos ou com a fisionomia enrijecida. Se estamos ansiosos, por exemplo, no meio de um trânsito pesado, nossos ombros se contraem; existem muito poucas pessoas que não têm tensão nos ombros. Embora seja irrelevante saber que emoção está ligada a esta ou aquela parte do corpo. Nossas reações emocionais não têm nenhuma outra maneira de se manifestar que não através do nosso corpo. Desde o nascimento, nós lidamos com as nossas emoções dessa maneira, ou talvez, nós poderíamos dizer que lidamos mal. O corpo tem sempre reagido e talvez retido algumas dessas reações em forma de tensões e bloqueios. Esse método de meditação tem o potencial de remover esses bloqueios ou pelo menos de transformá-los em algo menos obstrutivo, dependendo da força da nossa concentração e também do nosso kamma.

Imagine por um momento que algumas pessoas têm vivido nesta sala nos últimos trinta anos, e nunca a limparam. Elas teriam deixado restos de comida, excremento, roupas sujas e louça suja; e nunca teriam varrido o chão. Agora o lugar estaria sujo e bagunçado, do chão até o teto. Então, um amigo viria e diria aos ocupantes: “Porque vocês não varrem pelo menos um cantinho, onde vocês possam se sentar confortavelmente?” Nossos amigos que estariam vivendo aqui fariam isso e descobririam que esse cantinho é muito mais confortável do que anteriormente, apesar deles não terem sido capazes de imaginar isso antes da limpeza. Agora eles se sentem motivados a limpar todo o restante da sala.

Eles descobrem que eles podem agora ver lá fora, através das janelas e toda a perspectiva de viver neste lugar se torna muito mais agradável. É claro que qualquer pessoa poderia ter se mudado para algum outro lugar quando a bagunça se tornasse muito insuportável, mas todos nós somos muito presos ao nosso corpo. Não podemos nos afastar dele. Podemos mudar a nossa residência muitas vezes durante a nossa vida – seja de cidade ou país, de um apartamento ou de uma casa, de estar com amigos a estar sozinho, de um país para outro – mas o nosso corpo nos acompanha sempre. É a nossa vivenda permanente até que ele se desagrega e morre, e vira pó. E enquanto temos o nosso corpo, poderíamos também tentar fazer o melhor uso dele, pois de outro modo, teremos perturbação e aborrecimento na nossa meditação. Acontece todo tipo de coisas que não queremos que aconteça.

Quando nós tomamos um banho, tudo que podemos fazer é lavar a nossa pele. Todos nós sabemos que consistimos de muito mais do que só pele, mas ainda assim é tudo que podemos limpar. Dia após dia, temos uma pele limpa e agradável e provavelmente cabelo limpo também. Isso é tudo que conseguimos fazer. O método vipassana na sua primeira aplicação pode se parecer com um banho interno. O que a mente plantou através de reações emocionais, ela pode remover através do abandono.

O abandono é o segredo da purificação. Cada vez que movemos de um ponto no corpo para o próximo, temos o abandono do que quer que tenha surgido no ponto anterior. No final, nós deixamos ir todas as sensações e emoções através da ponta dos nossos dedos das mãos e dos pés para o interior da sala de meditação, porque não existe mais nenhuma outra parte do corpo para a qual nós possamos mover a nossa atenção. E através disso, nós fazemos uma limpeza, tomamos um banho interno e fazemos a remoção de alguns bloqueios interiores. E como isso é de grande ajuda fisicamente, nossa mente também fica mais relaxada. E agora como já não temos tantas dificuldades com o corpo, podemos usar nossa energia mental livre do desconforto.

Essa técnica tem também uma propriedade de cura. Qualquer pessoa com alguma concentração pode facilmente se livrar de uma dor de cabeça ou mesmo dor nas costas. Algumas doenças que já estão profundamente enraizadas serão mais difíceis de erradicar, podendo até mesmo ser impossível se livrar delas. A técnica tem, no entanto, muitas outras possibilidades.

Um dos seus importantes aspectos é que aprendemos a abandonar os nossos sentimentos, de forma que não precisemos reagir a eles. Os sentimentos compreendem as sensações físicas e as emoções. A única porta, em toda a origem dependente mundana, através da qual nós podemos sair do samsara, é a não reação a essas sensações e emoções, e com isso vem o abandono do apego. Apego tem sempre o significado de “querer ter” ou “querer se ver livre de”. Não precisamos estar viciados, no sentido estrito da palavra, só o fato de querer manter a posse ou de querer mais de algo, ou rejeitar algo, ou querer destruir, já é o suficiente. Aqui nós temos um método através do qual podemos realmente nos tornar conscientes das nossas sensações, sem que seja necessária qualquer reação.

Mesmo se a raiva surgir, essa é uma ocasião em que sabemos com certeza que ninguém a causou. E essa poderá ser a primeira vez na nossa vida que estaremos conscientes da raiva surgindo, sem que nada fora de nós a tenha despertado. O mesmo se aplica à dor, preocupação, medo ou qualquer outra das nossas sensações e emoções.

Esse método também nos dá a oportunidade de nos tornarmos conscientes das sensações que de vez em quando são desagradáveis. Se as abandonarmos e movermos nossa atenção para a próxima parte do nosso corpo, nós desempenharemos a mesma ação – isto é, não reação a uma sensação desagradável através do abandono da rejeição. Nós abandonamos uma sensação quando colocamos a nossa atenção em algum outro lugar.

Esse método nos ensina a lidar com todas as nossas sensações e emoções com equanimidade. Porém, a repetição para nós mesmos, inúmeras vezes, de que esse é o único modo de lidar com as sensações e emoções, mas sem praticá-lo, não nos capacitará nesta tarefa. A compreensão – estar intelectualmente consciente – é o primeiro passo, mas a menos que tenhamos uma prática estruturada, nós não poderemos aprender isso ou qualquer outra habilidade.

Gosto de comparar nossas sensações a um brinquedo de criança, o boneco pulador, que consiste de um palhaço preso numa mola, que pula para fora da caixa cada vez que a tampa é acionada. A criança só precisa tocar na tampa da caixa de leve e o palhaço pula para fora. Aí alguém arranca o palhaço da caixa e quando a criança voltar a tocar a tampa, o palhaço não mais pulará para fora. Isso é o que acontece dentro de nós. Nossas emoções estão embutidas no nosso coração. Nós só precisamos de uma pequena impulsão e ser tocados de leve que a raiva ou medo, ou desejo saltam para fora. E quando estes finalmente se vão, nem mesmo batendo com um martelo pode fazer com que eles reapareçam.

A purificação que nós aspiramos necessita de um caminho. É evidente que podemos praticar no nosso dia-a-dia, onde somos frequentemente tão confrontados por reações emocionais, mas um método de meditação é uma ajuda enorme e serve como um sistema de apoio. Em primeiro lugar, porque não existe um agente externo e, portanto fica bem claro que tudo está acontecendo dentro de nós. Na quietude e paz da prática da meditação é também muito mais fácil não reagir do que na imediatidade da confrontação – no calor da batalha, por assim dizer.

Aqui nós temos também um método de ganhar insight de várias maneiras. Durante a meditação guiada, mencionei solidez, calor, movimento. Todos os corpos consistem de quatro elementos primários e esses podem ser facilmente experienciados nessa meditação em particular. Os elementos primários são: terra, água, fogo e ar. Terra é o elemento da solidez, a dureza que nós podemos sentir quando nós tocamos o corpo ou quando o corpo toca a almofada, o chão ou a cadeira. O elemento água não é só saliva, urina, suor e sangue, mas o elemento de coesão. Quando derramamos água num pouco de farinha, ela se torna uma massa. É por isso que setenta e oito por cento do nosso corpo é feito de água. Se assim não fosse, todas as partes estariam se movendo separadamente. Teríamos uma aparência um pouco estranha, mas talvez não tivéssemos um sentimento tão forte em relação ao nosso ego, se nós pudéssemos realmente observar todas as nossas células separadas. A água mantém juntas todas as partes do nosso corpo. O elemento fogo é temperatura; nosso corpo sente o calor o frio ou o meio-termo. E existe o ar que são os ventos no corpo – a respiração e todos os movimentos físicos.

Quando experienciamos algum ou todos esses elementos dentro de nós, temos uma boa oportunidade de relacionar essa experiência com tudo ao nosso redor. Tudo que existe consiste desses quatro elementos e cada um deles contém os outros três em proporções variadas. Por exemplo, a água tem que ter solidez, de outro modo nós não poderíamos nadar ou remar um barco. Ganhar insight sobre o fato de que nós consistimos desses elementos nos ajuda a compreender que nós não somos diferentes do nosso meio ambiente. Não importa para onde olhemos, encontraremos esses quatro elementos. À medida que fixamos a nossa atenção nessa realidade, nosso sentimento de separação diminuirá e nós passaremos a nos sentir como parte de toda manifestação nesse universo. Poderemos nos sentir inseridos nessa totalidade e não mais ameaçados pelas outras pessoas ou por catástrofes naturais ou não. Nós somos parte de um todo, o todo é parte de nós; não existe separação, nem alienação.

Quanto mais pudermos viver nessa realização, mais fácil será a purificação das nossas emoções com amor bondade, (metta).Quando não nos sentirmos mais separados dos outros, uma unidade única no meio de tantos, mas pudermos ver apenas uma manifestação universal, será muito mais fácil sentir metta pelos outros, porque essencialmente estaremos direcionando esse sentimento para nós mesmos.

Quando nos observamos à luz dos quatro elementos primários, nós também perdemos um pouco da nossa consciência profundamente impregnada do ego, que é a causa de todos os problemas que possam surgir. É impossível encontrar o atributo “eu” numa combinação de terra, água, fogo e ar. Portanto, uma investigação contemplativa desses aspectos em nós mesmos pode produzir resultados de longo alcance.

Todos nós sabemos sobre a impermanência e provavelmente já ouvimos a palavra muitas vezes. E existem poucas pessoas no mundo que questionariam a impermanência, estejam elas seguindo uma prática espiritual em particular ou não. Nós provavelmente poderíamos perguntar ao carteiro ou ao encarregado da loja da esquina se tudo é impermanente e eles com certeza concordariam que é assim mesmo. Todos nós concordamos, mas temos que experienciar a impermanência para que ela deixe uma impressão em nós, e mesmo assim, nem sempre é o suficiente. Mas, quanto mais experienciarmos a impermanência, mais frequentemente nossa mente se voltará do seu modo habitual de pensar para o modo do Dhamma, que é uma virada de 180 graus. E é por isso que temos grandes dificuldades em pensar e viver no modo do Dhamma. Mas, finalmente, se perseverarmos durante um período de tempo suficiente, se formos bem determinados e recebermos uma pequena ajuda no caminho, conseguiremos. À medida que nos distanciarmos do pensamento mundano, a impermanência se tornará uma das características proeminentes em tudo que nós experienciarmos. Nesse método de meditação, nós focamos na impermanência de cada sensação e de cada emoção bem como no seu surgimento e cessação. Nós não só experienciamos a impermanência, como também compreendemos que nós só tomamos consciência de algo quando fixamos nossa atenção ali. Se nós levarmos essa realização para o nosso dia-a-dia, notaremos que a vida se torna muito mais fácil. Não temos que colocar a nossa atenção em coisas que trazem problema, fazendo a vida mais difícil para nós mesmos. Quando experienciamos negativismo, não precisamos mantê-lo na nossa consciência. Somos livres para movermos nossa atenção para o que é realmente verdadeiro, ou seja, impermanência, insatisfação e o não-eu. Ou podemos nos conectar com as emoções puras do amor bondade, compaixão, alegria altruísta e equanimidade. Depende inteiramente de nós aonde nossa atenção é focada. Como resultado da meditação, aprendemos que nós podemos escolher o que pensar, que é uma nova e valiosa abordagem aos nossos estados mentais. É dessa maneira também que finalmente mudamos nossa consciência para a consciência do Dhamma o tempo todo. Teremos então aprendido como abandonar aqueles pensamentos que não estão de acordo com a verdade absoluta.

A impermanência das nossas sensações e emoções, experienciada durante a meditação, deveria dar origem a um insight em relação à natureza impermanente de todo o nosso ser. E o fato do nosso corpo parecer tão sólido na sua forma é apenas uma manifestação do elemento terra, e na verdade não é nada mais do que ilusão ótica. Quando experienciamos as sensações e emoções como totalmente impermanentes, sabendo que nós habitualmente vivemos reagindo a elas, nós começamos a nos ver pequenos e menos sólidos do que antes, e pode ser que comecemos a questionar onde é que um “eu” pode ser encontrado dentro dessa constante mudança. Isso nos dá a oportunidade de colocar menos importância nas nossas emoções, da mesma forma que aprendemos a considerar os nossos pensamentos menos importantes quando os rotulamos durante a nossa prática de meditação e vemos de quão pouca utilidade eles são – que eles são na realidade dukkha, porque eles estão constantemente se movendo, mudando e perturbando.

A maioria das pesssoas reagem automaticamente às suas emoções e justificam isso com a asserção de que simplesmente é assim que elas sentem. Todos nós já fizemos isso. Existem esses letreiros de pára-choques na América que proclamam, “se é bom, deve ser correto”. Essa afirmação não só é tola, mas perigosa.

Podemos ver em tudo isso quanta importância têm as emoções. E enquanto a nossa consciência não tiver se tornado uma consciência do Dhamma, nós cairemos nessa armadilha. Agora nós temos uma oportunidade para uma nova abordagem. Emoções e sensações são impermanentes e inteiramente dependentes de onde nós fixamos a nossa atenção. Como podem elas ter uma significância real, que vai além do seu surgimento e cessação? Obviamente, nós não nos lembraremos sempre de adotar essa nova abordagem, mas pelo menos temos um método para lidar com as nossas emoções que, por fim, se tornará parte do nosso ser. Quando nos sentamos em silêncio, e nada acontecendo, é mais fácil aprender novos métodos para lidar consigo próprio. De fato, não é nada difícil abandonar uma sensação ou emoção e cuidar de outra. Mas precisamos ser capazes de trazer essa habilidade para o escritório e para a cozinha, quando alguém nos dá uma “bronca” ou exige atenção; e quando tivermos feito isso repetidamente na meditação, isso se tornará muito mais fácil. Nós não mais seremos pegos pelas nossas emoções e pelas nossas reações a elas.

Essa atitude nos traz para um ponto dentro da origem dependente que é a porta que nos levará para fora da esfera do nascimento e morte: isto é, a prática da equanimidade em resposta às sensações, ao invés do costumeiro “gosto” e “não gosto”, em resumo, “desejo” e “raiva”. Através da atenção plena nós aprenderemos a fazer o tipo certo de escolha. E se escolhermos o Dhamma, encontraremos tranquilidade e harmonia dentro de nós.

Meditação Guiada da Atenção Plena nas emoções e sensações ou Varredura

Nesse momento precisamos nos familiarizar com o ponto no corpo que chamamos de “topo da cabeça”, que é uma depressão bem rasa que todos temos no topo da nossa cabeça. Num bebê, é a moleira, onde os ossos crescem e se juntam mais tarde. Podemos encontrá-la três ou quatro dedos de largura, para trás da raiz dos cabelos na testa. O outro ponto é a coroa da cabeça, que é mais ou menos do tamanho de uma moeda grande, onde o cabelo cresce em várias direções. Algumas pessoas têm-na do lado esquerdo, outras do lado direito e algumas bem no meio da cabeça. Onde quer que a tenhamos, este é o ponto.

Comece prestando atenção à sensação gerada pelo ar da respiração nas narinas. Tome consciência dessa sensação por algum tempo.

Agora transfira a sua atenção para o “topo da cabeça”, abandone a respiração e deixe tudo o mais para trás. Ponha a sua total atenção no topo da cabeça e note qualquer sensação que possa ser sentida ali: cócegas, peso, pressão, formigamento, se é agradável ou desagradável, movimento, imobilidade, calor, frio – qualquer uma dessas ou qualquer outra. Você não precisa nomear a sensação, mas se quiser, pode. Eu as estou nomeando para exemplificar.

Lentamente, mude a sua atenção do topo da cabeça para a coroa, movendo a sua atenção para trás do topo da cabeça, ponto por ponto, consciente de cada ponto. Note a sensação, a emoção; deixe-a e siga para o próximo ponto. Tente cobrir todo o topo da cabeça. Sensação é física e emoção é emocional. Note qualquer coisa que possa surgir; abandone-a e foque no próximo ponto: solidez, suavidade, pressão, formigamento, contração, expansão, calor, pulsação, batimento, golpe, desagrado... a sensação pode ser na pele ou sob a pele. Pode ser profunda ou na superfície. A única coisa que realmente importa é estar consciente dela.

Agora concentre-se na coroa, uma pequena área. Fique consciente da sensação. Tente voltar para dentro de si mesmo de tal modo que os sentimentos e sensações se tornem aparentes.

Vagarosamente mude a sua atenção da coroa para toda a parte de trás da cabeça até a base do crânio, onde o pescoço se junta com a cabeça. Dê a sua total atenção para cada ponto, notando, abandonando o que notou e seguindo adiante para o próximo ponto.

Agora coloque a sua completa atenção no lado esquerdo da cabeça, lentamente movendo-a do topo para baixo até a linha da mandíbula, e da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha. Concentre-se em cada ponto, movendo a sua atenção vagarosamente para baixo, tornando-se consciente de cada emoção ou de cada sensação... notando solidez, toque, tensão, relaxamento, qualquer coisa que surgir. Note, abandone-a e siga adiante para o próximo ponto.

Traga a sua atenção para o lado direito da cabeça, lentamente movendo do topo da cabeça para a linha da mandíbula, da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha. Dê total atenção a cada ponto à medida que você move a sua atenção para baixo, conscientizando-se da sensação, conscientizando-se da emoção, na pele ou sob a pele, dentro ou na superfície. Estar consciente é o que conta.

Coloque toda a sua atenção na raiz do cabelo sobre a testa e lentamente mova-a para baixo, abrangendo toda a extensão da testa até as sombrancelhas, ponto por ponto. Note o que quer que surja: pulsação, movimento, pressão, batimento, agradável ou desagradável.

Agora volte toda a sua atenção para o olho esquerdo, e tudo envolta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção: pressão, peso, escuridão, luz, o contato, tremor, imobilidade.

Em seguida, transfira a sua atenção para o olho direito. Tudo em volta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção da qual você tenha consciência.

Concentre-se no ponto entre as sobrancelhas. Lentamente mova-a para baixo para a ponta do nariz, notando ponto por ponto: solidez, suavidade, formigamento, pode ser qualquer uma destas ou qualquer outra sensação da qual você tenha consciência.

Agora fixe a sua atenção nas narinas. Vagarosamente mova-a para dentro do nariz, notando a sensação do ar, movimento, espaço, confinamento, abertura, coceira, umidade, sequidão, contato.

Concentre­-se na pequena área entre a ponta do nariz e o lábio superior, a extensão toda do lábio superior. Note qualquer sensação ou qualquer emoção que surja: contato, movimento, tremor, imobilidade, peso, leveza.

Mova a sua atenção para os lábios, superior e inferior. Note o contato, pressão, contração, umidade, sequidão, agradável ou desagradável, qualquer uma destas ou quaisquer outras.

Coloque a sua atenção dentro da boca. Fique consciente de qualquer sensação ou emoção. Mova de um ponto para outro, cobrindo toda a área.

Coloque toda a sua atenção no queixo. Fique consciente de como é que você o sente.

Mova a sua atenção para a bochecha esquerda, movendo-a lentamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula. Com a sua atenção em cada ponto, note qualquer sensação ou emoção; abandone-a e mova para o próximo ponto.

Concentre-se na bochecha direita, movendo vagarosamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula, ponto por ponto. Conscientize-se da sensação ou emoção; notando, abandonando e movendo para o próximo ponto. A sensação pode ser fraca ou definida, não importa.

Coloque sua atenção na garganta. Movendo lentamente da linha da mandíbula para onde o pescoço se junta ao tronco, ponto por ponto, do lado de dentro ou do lado de fora, notando o contato, calor, obstrução, peso, leveza, pulsação.

Mova a sua atenção para a parte de trás da garganta, começando na base da cabeça, movendo lentamente para baixo onde o pescoço se junta ao tronco. Observe cada ponto, tenso, relaxado, nodoso, agradável ou desagradável, como se houvesse algo cutucando, golpeando, cócegas, formigamento – qualquer uma destas ou quaisquer outras.

Coloque toda a sua atenção no ombro esquerdo. Movendo lentamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço esquerdo se junta. Observe cada ponto, tornando-se consciente de cada sensação ou emoção: tenso, relaxado, pesado, sobrecarregado; o que quer que surja, observando, abandonando e seguindo diante para o próximo ponto.

Agora volte a sua atenção para a parte superior do braço esquerdo, movendo lentamente para baixo, do ombro até o cotovelo, por todo o braço, conscientizando-se de cada ponto à medida que você percorre essa área. Observe a sensação, a emoção; abandone-a e continue até o próximo ponto. Note o contato, calor, movimento, peso, leveza, contração, expansão.

Concentre-se no cotovelo esquerdo. É uma pequena área, portanto deixe que tudo o mais se vá. Preste atenção exclusivamente no cotovelo esquerdo e em nenhuma outra parte do corpo e observe a sensação e a emoção que surgir.

Ponha toda a sua atenção no antebraço esquerdo. Vagarosamente mova do cotovelo até o pulso, por todo o antebraço, ponto por ponto; observe, abandone e continue até o próximo ponto, na pele ou sob a pele, na superfície ou mais profundamente. Chegue bem perto das sua próprias sensações e emoções.

Mova a sua atenção para o pulso esquerdo, por todo o pulso. Note a pulsação, batimento, contração, contato.

Em seguida, concentre-se no dorso da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Coloque a sua atenção na palma da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão esquerda. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior da sala de meditação.

Coloque toda a sua atenção no ombro direito. Movendo vagarosamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço direito se junta. Note cada ponto: peso, contração, nodoso, tenso, relaxado, sobrecarregado, dor, tristeza, raiva, resistência, qualquer coisa, seja o que for. Observe, abandone e siga para o próximo ponto.

Mova a sua atenção para o braço direito. Movendo lentamente do ombro para o cotovelo, por todo o braço. Ponto por ponto, na pele ou sob a pele: solidez, suavidade, calor, frio, contato, movimento, imobilidade.

Concentre-se no cotovelo direito. Deixe que tudo o mais se vá; preste atenção só nesta pequena área e observe as sensações: latejante, contraído, elétrico.

Coloque a sua atenção no antebraço direito. Movendo lentamente do cotovelo para o pulso, por toda parte. Observe a superfície ou bem profundamente.

Em seguida, mova a sua atenção para o dorso da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Ponha a sua atenção na palma da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão direita. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior dentro da sala de meditação.

Ponha toda a sua atenção no lado esquerdo da parte da frente do tronco. Mova lentamente do ombro esquerdo até a cintura, tocando cada ponto à medida que você move a sua atenção. Observe a emoção ou sensação: restrição, expansão, golpes, peso, leveza, formigamento, solidez, suavidade, rejeição, resistência, preocupação, medo, o que quer que surja na superfície, observe, deixe que se vá e continue até o próximo ponto.

Mova a sua atenção para o lado direito da parte da frente do tronco; movendo lentamente do ombro direito até a cintura, tocando em cada ponto com plena atenção.

Coloque toda a sua atenção na parte da frente da cintura. Observe a sensação: firmeza, flacidez. Mova lentamente da cintura para a virilha, até a parte mais baixa do tronco, ponto por ponto, tomando consciência da sensação, da emoção, abandonando-a e movendo para o próximo ponto, tornando-se consciente de como você sente cada ponto.

Coloque a sua atenção do lado esquerdo das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, prestando atenção a cada ponto, tornando-se consciente da sensação e da emoção, abandonando-a e observando o próximo ponto: tensão, nodoso, preocupação, contato, calor, movimento, solidez, suavidade, formigamento.

Coloque toda a sua atenção no lado direito das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, com plena atenção em cada ponto.

Ponha toda a sua atenção na parte de trás da cintura: contraída, expandida, espasmódica, golpes, cutucação. Começando da cintura, mova lentamente até a nádega esquerda, onde a perna se junta. Observe ponto por ponto, na pele, sob a pele, mais profundamente ou na superfície. Observe, abandone e mova para o próximo ponto: peso, contato, pressão.

Mova para o lado direito da parte de trás da cintura. Vagarosamente desloque a atenção para a nádega direita, até onde a perna se junta. Observe cada ponto, cada sensação.

Concentre-se na coxa direita. Movendo vagarosamente da virilha até o joelho, por toda parte; observando a pressão, contato, sensação desagradável, dor aguda, cutucação. Observe, abandone e continue até o próximo ponto.

Concentre-se no joelho direito, por toda parte, dentro e fora.

Coloque a sua atenção na perna. Movendo lentamente do joelho até o tornozelo, por toda parte, reconhecendo cada ponto.

Coloque a sua atenção no tornozelo direito. Observe a pressão, contato, solidez, suavidade.

Ponha a sua atenção no calcanhar direito, uma área pequena. Deixe que todo o resto se vá e dê toda a sua atenção para essa área.

Coloque toda a sua atenção na sola do pé direito, movendo do calcanhar até onde os dedos do pé se juntam. Fique consciente de cada ponto. Observe a sensação ou emoção: maciez, aspereza, calor, contato, golpes, repuxo.

Coloque a sua atenção no peito do pé direito, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando dentro e fora. Ponha a sua total atenção na base dos 5 dedos do pé direito. Lentamente movendo ao longo dos dedos até a ponta. Ponha a sua atenção na ponta dos cinco dedos e faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para dentro da sala de meditação.

Em seguida, mova a sua atenção para a coxa esquerda. Lentamente mova da virilha para o joelho, por toda parte, ponto por ponto. Observe, abandone e vá para o próximo ponto.

Ponha toda a sua atenção no joelho esquerdo, por toda parte, em volta, dentro, fora, completamente consciente das emoções e sensações.

Concentre-se na perna esquerda. Lentamente mova do joelho para o tornozelo, por toda parte. Observe a pressão, peso, solidez, dureza, contato, golpes, pontadas, formigamento. Seja o que for, observe, abandone e mova a sua atenção para o próximo ponto.

Ponha toda a sua atenção no tornozelo esquerdo, por toda parte. Observe o contato, pressão, resistência, rejeição.

Mova a sua atenção para o calcanhar esquerdo, uma pequena área. Deixe que tudo o mais se vá. Dê total atenção para essa área.

Coloque toda a sua atenção na sola do pé esquerdo. Lentamente movendo do calcanhar para onde os dedos do pé se juntam. Observe cada ponto: pressão, contato, calor.

Coloque toda a sua atenção no peito do pé, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando, completamente consciente. Mova a sua atenção para a base dos cinco dedos do pé esquerdo. Movendo vagarosamente ao longo dos dedos até a ponta. Ponha toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos. Faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para o interior da sala de meditação.

Revisado: 29 Outubro 2005

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