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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Reflexo da Consciência

O que é espaço e tempo?

Embora ambos sejam ilusões, nós ainda criamos/vivemos sob os efeitos deles. 

A experiência que ambos nos proporcionam, 
se transforma na experiência de nossas próprias vidas.

O SEGREDO é:

...começar a ver e a viver a aparente "realidade física" como um reflexo.. é estar consciente de que, quando olha, é capaz de enxergar que VOCÊ não está "lá"... é saber que para mudar o reflexo, é necessário mudar a si próprio, para ver a mudança acontecer no "reflexo"...

Qualquer mudança que quer ver, precisa começar dentro, na realidade interior!

[Bashar]


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Memórias de um buscador

Só o ponto de vista da personalidade te limita e confina, fazendo-o considerar o que foi vivido como um objetivo e como um objeto. 

Enquanto tu definires como um objetivo e um objeto separado (em relação a uma experiência, seja ela a mais importante), tu não estarás no Instante Presente e não és o que tu És. Tu deixaste o momento ser tomado pela personalidade. A partir do instante em que uma experiência aparece na consciência (qualquer que seja essa consciência), esta vai se aproveitar.

Enquanto existir, na consciência, o sentimento de uma memória, de uma experiência (mesmo a mais extraordinária que seja), tu vives no passado. Porque há um condicionamento que vem das suas próprias experiências e que vem alterar, realmente, a possibilidade de Ser o que tu És. Nenhuma experiência se resume a um passado ou a um futuro.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Deus se revela no mundo (das formas)...

Assim se revela, como um verdadeiro centro de um círculo, UM PONTO. Um ponto, no entanto, não tem dimensão nem lugar. Assim, ele escapa não apenas à nossa percepção, mas também à nossa imaginação. O ponto contém tudo, mas só em potência e não em estado manifesto. Dele nascem o círculo e a esfera, que são suas formas de manifestação. Aquilo que no ponto ainda é potência ganha através do círculo e das esferas a sua configuração.

Nossa linguagem simbolicamente reflete o fenômeno do ponto: falamos em círculo de amigos, ponto de apoio, ponto de vista, esfera de atribuições e de influência. Nossa linguagem reflete o fato de que isolados somos pontos; juntos damos origem à beleza das formas, dos círculos, das esferas. Um verdadeiro líder é um ponto a partir do qual sua equipe se organiza em figuras de harmoniosa eficácia.

Pontos alcançam sua melhor expressão em rede, no coletivo. Afinados com os novos tempos. 

O ponto e o cículo - Deus e o mundo, o Uno e o múltiplo, o irrevelável e o revelável, o conteúdo e a forma... metaforicamente, poderíamos pensar também na relação entre a semente e a planta adulta e reconheceríamos q no pequeno, na parte, já está contido o todo, uma vez q nós, seres humanos, necessitamos sempre da dimensionalidade para reconhecermos algo. Dessa forma, o homem necessita do mundos das formas visíveis para ser capaz de reconhecer nele o invisível. Precisamos assim de um corpo para ter experiências de conscientização. O mundo visível é o veículo q nos coloca em contato com o transcendental. Deus se revela no mundo. 

Ou nos perdemos no mundo das formas (materialismo) ou tentamos fugir do mundo das formas, com a ilusão de que “fora do mundo” pode-se encontrar a espiritualidade. Mas não podemos escapar do mundo, pois ele existe somente em nossa consciência. Devemos, portanto “utilizar” o mundo na nossa caminhada para o centro, para a redenção da unidade, do ponto. Utilizar o mundo significa viver nele, defrontar-se conscientemente com ele, trabalhar nele, brincar nele, dançar com ele, servindo-se dele como um recurso para encontrar o ponto que unifica a multiplicidade.

A lei do mundo é o movimento, a lei do centro é a quietude. Viver no mundo é movimento, atividade, dança. Nossa vida é um dançar constante ao redor do centro, um incessante circundar o Uno invisível ao qual nós, tal como o círculo, devemos nossa existência. 

[Thorwald Dethlefsen, adaptado 1984]



quarta-feira, 19 de junho de 2013

O nível mais profundo da consciência que se pode experimentar



A consciência é parecida com o rolo de um filme. esse rolo de filme é feito de vários quadros com um pequeno espaço entre eles.

Quando olhamos para fora, estamos assistindo vários filmes em nossa mente. Não vemos o intervalo entre esses cenários, apenas ouvimos, sentimos o cheiro, o gosto, o toque, etc. Na verdade, não os vemos, porque nossa mente é muito lenta. A mente é muito vagarosa. É como se cada um desses fragmentos passasse ao mesmo tempo, instantaneamente. Então, surge a ilusão de um mundo sólido, a ilusão de um “eu” presente que está experimentando algo. É uma ilusão muito inteligente, mas profundamente enraizado na mente.

É o nível mais profundo da meditação vipassana. Ver a realidade como ela é. Ver como nos apegamos aos objetos dos sentidos, como nos apegamos ao sentido da existência do “eu”, que basicamente nos leva a fazer tudo o que fazemos na vida. A acreditar em tudo. Porque toda a vida é levada pelo sentido do “eu”.

A nossa experiência possui 03 aspectos: o “conhecedor”, que é a sensação do “eu”, e então, há o “conhecido”, que é o objeto que experimentamos. Quando se ouve um som, este é o “conhecido”, no sentido de que “estou ouvindo um som”. O “conhecedor”, com o sujeito e o objeto. Mas nós não vemos o que existe no meio. No meio está a consciência. No meio, está a consciência do “estar consciente”. Mas nós não a vemos porque a mente pula do “conhecedor” para o “conhecido”, devido ao seu apego. E estamos tão focados nos objetos do nosso apego, que não vemos o espaço existente entre eles. Não vemos o “estar consciente”. E é assim que a ilusão do “eu” surge.

E assim acontece em Vipassana, treinamos a nos desapegar do objeto. E, quando estamos prontos a nos desapegar do objeto, então a sensação do “eu” começa a se enfraquecer, mas ainda está lá. E aí devemos voltar nossa atenção para essa sensação do “eu” para ver como essa sensação surge. E podemos observar diretamente como a sensação do “eu” cresce de acordo com a dimensão do nosso apego, ou aversão. A sensação de apego parece ser bastante real e forte. Com a prática de Vipassana, começamos a deixar passar o apego e as reações aos vários estímulos e, então, a mente pode se expandir. Ao se expandir, a mente percebe que mais e mais coisas podem surgir e desaparecer sem apego e a sensação do “eu” começa a desaparecer.

Essa é uma percepção direta, uma observação direta de como a sensação do “eu” é feita de desejo. Quanto mais desejos e aversões você tem, mais forte é o sentido do “eu”. E quando você deixa passar, a sensação do “eu” começa a enfraquecer e, como o tempo, desaparece. Mas o problema que acontece com muitos meditadores é que eles conseguem deixar passar todas essas coisas, mas quando começam a se desapegar do mundo exterior, das suas sensações, percepções e pensamentos, o medo surge. Porque é basicamente como o medo da morte, principalmente o medo da morte do ego: o medo de se desapegar da sensação do “eu”, de se desapegar de pensar que o “eu” é de alguma forma real e, então, você nunca vai conseguir se livrar disso e entrar nos níveis mais profundos da meditação, porque nesses níveis mais profundos de meditação, isso parece quase como a morte, ou a morte do “ego”. 

E é por isso que a mente das pessoas é empurrada de volta para mais atividades. E elas começam, então a fazer coisas e a pensar para não perder a sensação do “eu”. Mas, se você compreender a natureza do ego, e do “eu”, então não vai ter medo de deixar passar. E, se você é capaz gradualmente de deixar passar, então você poderá experimentar uma transição completa da consciência. A consciência se transforma num tipo de experiência mais expandida e universal quando a sensação do “eu” desaparece. 


É a verdadeira liberação, porque a maior prisão é estar preso ao ego: ser um prisioneiro do “eu”, “me” e “meu” e todos os seus hábitos. Então quando se é finalmente livre dos últimos traços da sensação do “eu”, sua mente se torna livre verdadeiramente. Na linguagem do Buda, esse é o mais profundo estado de liberação. Mas é um processo gradual. Primeiro, nos liberamos do apego às coisas externas, do apego às sensações, do apego às percepções, nos liberamos da prisão das formações mentais, das ações, e por fim, o intelectual, esse último vestígio de traço do “eu” e se experimenta a verdadeira liberação do sofrimento. A superação da ilusão do ego. Esse é o nível mais profundo que se pode experimentar As Quatro Nobres Verdades.

[Bhante Rahula]

domingo, 18 de setembro de 2011

Toda experiência dura apenas uma única contagem


No fundo, toda ideia que jaz em sua mente apenas faz parte de uma imaginação que se experiencia no delicioso lar da vida e que se dissolve no amor do Ser e na imutável aparência causada pelo experimentador.
Me refiro a realidade de que seu ser aparentemente indefinido não está ligado a uma pessoa e que as experiências não existem no nível pessoal. Aquilo que está lá, tudo o que existe, é demasiadamente abrangente no nível da experiência do ser. 
Mas sua vida é sem "conteúdo"? A sua vida tem algum sentido nesse nível?
Tudo que acontece trata-se apenas de uma experiência que dura apenas uma contagem, e por isso é um disparate total para a fonte de todo sofrimento... Olhe para sua busca em si em vez de olhar as experiências (que são geradas pela TV do mundo), e perceba que o seu todo-abrangente e indefinido experimentar - sem fazer ou não fazer nada - é mais rápido que qualquer vivência que é experimentada.


sábado, 10 de setembro de 2011

Você já é e possui tudo que precisa

Por que, na verdade, temos a crença de que há algo em nós que quer ser algo ou se tornar um iluminado?
CH: Não, na verdade não há nada para se iluminar, não há nada para querer. Essa luz brilha sempre, infinitamente. A felicidade nunca pode ser entendida ou alcançada a partir de um determinado ponto de vista. Assim como o amor, a felicidade não pode ser apenas mais um conceito pré-determinado. Conceitos apenas podem apontar para algo que já é realizado. No fundo, portanto tudo já É absolutamente realizado e pleno.

Você nunca conseguirá encontrar o que você já é! Já está aí! Os momentos são feitos apenas de experiências. Como poderia uma experiência jamais ser capaz de olhar para experimentar, para então julgar se há algo a ela ou não? A iluminação é antes de tudo, ser capaz de ver que você está experimentando a indefinição em si, e, em seguida, ser capaz de ver que você nunca poderá ser uma experiência. Então, mais cedo ou mais tarde pode vir à tona que as experiências no fundo não existem, e sim somente aquele quem experimenta.
[Chuck Hillig]

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sem nenhuma expectativa, nem mesmo um agradecimento

O amor só pode acontecer quando não há expectativas, desejos e nem mesmo intenções, pois é imprevisível, só pode acontecer no presente, no agora. Ele não faz planos de ação a seguir é sempre livre e completo. Não pode haver definição para o que acontece no amor, pois qualquer definição que seja, chega-se ao fim do amor... e o amor é infinito.

O amor é algo eterno. É a experiência dos budas. Somente poucas pessoas podem verdadeiramente despertar para o real significado do amor, porque foge da concepção humana. O amor encontra-se nos estados mais elevados da consciência humana, onde tudo pode acontecer e as explicações perdem sentido.

Osho afirma que se você quer realmente sentir e conhecer o amor, é necessário esquecer tudo que você sabe, viu, leu ou pensa sobre o amor. O melhor que se tem a fazer, para tentar se aproximar ao máximo de alguma definição do amor, se é que existe, é meditar.

Não deve haver qualquer tipo de preocupação, pois a antecipação é inexistente no tempo do amor. Também não existe mesmo a carência, a falta de amor, pois o amor não falta, é repleto, sempre inteiro e perfeito. Se você sente solidão no amor, você está perdido no tempo, pois o amor não é do tempo e muito menos pertence. É sempre livre, feliz e eterno.

O amor (nos relacionamentos) é a maior experiência espiritual que um ser pode ter. Nada a ver com sexo ou desejo, nada a ver com corpos materiais. Sim, um pouco sim, mas tem a ver mais com o seu ser mais íntimo e profundo. Portanto, seja sempre você mesmo(a), conheça cada vez mais a si mesmo(a) e o amor virá como recompensa. 

O amor é uma recompensa que vem do além e preenche todo o seu ser. A partir daí, segue continuamente a despejar sobre você e isso traz um imenso anseio em compartilhar. 

Seja também mais e mais consciente, pois o amor é um estado de alerta de pura consciência. O amor é supremo, sempre completo. Nada existe além dele, é um florescimento permanente, contínuo. Quando sentir a presença do amor, quando o amor estiver presente, é certo que você (ego) esteja ausente.

No amor, não há o que atingir, pois não há resultado final. Também, na experiência do amor, só pode ser possível a entrega sem nenhuma condição, sem nenhuma expectativa, nem mesmo um simples agradecimento.

E então, enquanto há doação do amor, tenha certeza de que receberá o amor de fontes desconhecidas, de recantos desconhecidos, de pessoas desconhecidas, do mar, das árvores, dos rios.. de todos os ângulos da existência o amor começará a banhá-lo(a). E quanto mais você dá, mais você obtém. Pois é na entrega que tudo acontece.

sábado, 7 de agosto de 2010

Resultados de um experimento científico na prática da meditação grupal

 O poder do pensamento e a forma como ele atua em nossas vidas é desconsiderado por muitos, se não quase a grande maioria das pessoas. Após vários experimentos, realizados por inúmeros cientistas de renome internacional, está sendo possível comprovar cientificamente o quanto a máquina humana chamada "cérebro" é capaz de fazer.

Um dos estudos que têm chamado a atenção da comunidade científica refere-se ao que se intitula de "consciência grupal", ou seja, membros de um determinado grupo podem provocar efeitos impactantes em qualquer situação quando este grupo age totalmente concentrado em um mesmo tipo de pensamento.

Posto isto, tem sido comprovado a partir de um estudo sistemático de intenção grupal os efeitos que uma prática bem conduzida de meditação pode gerar, como por exemplo, na ressonância que induz a redução de dores e determinados conflitos. 


Durante algumas práticas meditativas em grupo, quando específicas, a mente pode se sintonizar numa mesma frequência, sendo que essa frequência começa, portanto a se organizar de forma coerente, ordenando as frequências desordenadas à sua volta.

Uma prática abordada pelo estudo foi o Efeito Maharishi da Meditação Transcendental (MT), introduzido no Ocidente pelo Maharishi Mahesh Yogi nos anos 60. Dois tipos de meditação foram cientificamente estudados: 1) meditação não-direcionada e 2) meditação com intenção deliberada. No caso 2), o estudo exigia maior experiência e concentração, onde meditadores de estágio avançado escolhiam uma área de concentração e direcionavam a prática da meditação para resolver conflitos sociais e diminuir a taxa de violência naquela região.


Para validar o impacto desta experiência, foram realizados vários estudos, sendo que um deles foi testado em 24 cidades distintas dos Estados Unidos. O resultado obtido foi uma diminuição de 24% no número de crimes quando a cidade chegava a ter pelo menos 1% dos habitantes daquela cidade a praticar a meditação (MT) regularmente.


Em 1993, o National Demonstration Project (grupo de meditadores avançados em MT) focalizou Washington D.C. durante um surto de crime violentos. No decorrer de 05 meses, a taxa de violência foi caindo e quando o grupo de meditadores se desfez, a criminalidade voltou a subir. Vale ressaltar que o estudo demonstrou que o efeito não foi provocado por outros fatores externos, como medidas policiais ou campanhas anti-crimes.


Outras diferentes pesquisas foram realizadas no âmbito da resolução de conflitos globais e sociais, como às questões de embate entre Israel e Palestina, miséria no Canadá, taxa de crescimento econômico, devastação de áreas de florestas, e outros. Todas essas questões obtiveram resultados expressivos devido a prática da meditação grupal.

Essa gama de estudos pela comunidade científica, no fundo não irá alterar em nada nosso estado de ser. Entretanto, tais experimentos revelam claras evidências de que o pensamento pode afetar profundamente aspectos da vida. Assim, cada pensamento, cada julgamento, ainda que inconsciente, tem seu efeito. 

Portanto, talvez seja um momento bastante oportuno para apreciarmos a existência humana como uma dádiva potencialmente capaz de provocar efeitos consideráveis em qualquer disciplina de nossas vidas. Vale assim, uma reconsideração por tudo aquilo que pensamos, seja verbalizado ou não. E essa relação que traçamos com o mundo será sempre mantida, mesmo quando em silêncio.


"A resolução dos conflitos internos individuais leva à resolução do conflito global".

Adaptado de O experimento da intenção
(Mctaggart, L.)

Observação: o texto tem como objetivo apenas trazer uma menção no campo da ciência no que diz respeito a prática meditativa, sendo que a intenção de qualquer prática não é capaz de provocar alterações em nossa mais Pura Consciência, enquanto seres já plenamente realizados. Em síntese, todas estas questões são travadas portanto no campo da ilusão material, onde somente o pensamento é capaz de agir e reconhecer a forma. Na "não-forma" fica a sabedoria intrínseca daquilo que somos, em essência.

domingo, 11 de julho de 2010

Toda experiência é de natureza impermanente

 A natureza da impermanência deve ser absorvida diariamente. Não há como negar sua existência, algo intrínseco à vida de quaisquer seres vivos e à própria existência. A seguir Joseph Goldstein, professor e co-fundador do Insight Meditation Society, descreve habilmente em entrevista os aspectos que envolvem a natureza da impermanência. 

Joseph Goldstein: As três características – impermanência, sofrimento e não-eu, são uma clara e sucinta descrição da natureza dos fenômenos condicionados. Quando olhamos, nós vemos que toda experiência está constantemente mudando e que é, portanto, não confiável; e esta experiência surge devido às condições e não de um desejo nosso de que as coisas sejam de um certo jeito. Entretanto, apenas a compreensão dessas três características não é suficiente. É a sabedoria que se adquire ao experienciá-las profundamente que liberta a mente do apego.
O perigo em qualquer tradição espiritual é permanecer no nível filosófico. No Budismo, podemos facilmente nos perder só no pensamento das várias listas – as Quatro Nobres Verdades, o Caminho Óctuplo, os Cinco Obstáculos, os Sete Fatores da Iluminação. É importante seguir essas formulações dos ensinamentos na sua essência e explorar como elas podem servir para a nossa libertação para que estejamos não só conectados, mas inspirados pela verdadeira mensagem de Buda. 

(...) a impermanência é tão óbvia para quase todas as pessoas que, a grosso modo, nós geralmente a ignoramos. É uma verdade tão comum que não lhe damos nenhuma importância. E no entanto, quando realmente prestamos atenção, quando trazemos energia e um interesse real para esse entendimento, quando estamos realmente e vitalmente experimentando a impermanência da nossa experiência presente, nesse momento a mente não está se apegando. Esse é um fruto imediato – a mente livre de contrações, um coração relaxado. 

Inquiring Mind: Nos ensinamentos do Buda, você acha que é dada mais importância a alguma das três características como uma porta de acesso para a libertação?
J.G: Na teoria do abhidhamma, qualquer uma das três características é potencialmente a porta para a libertação: as pessoas podem ir pela porta da impermanência, pela porta do sofrimento ou pela porta número três do não-eu. Na prática do dhamma, qualquer uma das três características se apresenta mais prontamente para pessoas de temperamentos diferentes.

Aquelas que vão pela porta da impermanência têm uma tendência para a fé; aquelas que vão pela porta do sofrimento têm uma facilidade para a concentração; e aquelas que vão pela porta do não-eu têm uma sabedoria desenvolvida. 

I.M: Como é que a porta da impermanência está ligada com a fé?
J.G: Quando estou experimentando completamente a impermanência, a imagem que surge com frequência na mente, é a da prática de “rafting” em corredeiras. Nossa resposta ao perigo parece ser, ou de pânico e nos agarrarmos, ou de nos soltarmos completamente. Depois de termos passado por algumas corredeiras, desenvolvemos a fé e confiança para nos entregarmos e nos soltarmos. Nesse ponto da experiência, a fé parece ser a opção mais sábia.  

I.M: Como você descreve a impermanência?
J.G: Impermanência é a verdade básica universal e constante da mudança. Impermanência é, ao mesmo tempo, um processo contínuo de perda, no qual as coisas existem e então desaparecem, e um processo contínuo de renascimento ou criatividade no qual as coisas que não existem repentinamente aparecem.

Podemos ver isso momento a momento na meditação. Por exemplo, sons, pensamentos ou sensações continuamente desaparecendo e novos surgindo. Podemos, também, ver isso claramente em situações corriqueiras das nossas vidas. Onde foi parar nossa experiência do café da manhã lá pelo fim da manhã? Onde ficou aquela conversa que tivemos com um amigo, no dia seguinte? Algumas vezes, estamos mais conscientes das coisas novas que estão surgindo, e outras, notamos o seu desaparecimento. Mas, a mudança é sempre óbvia quando prestamos atenção.

Eu acho muito poderosa a prática de prestar atenção, momento a momento, na experiência da mudança. Ao invés de somente ficar perdido no conteúdo do que está acontecendo, é possível, simultaneamente, prestar atenção ao fato de que a toda experiência está se alterando e fluindo, sempre. Isso não é uma coisa tão difícil de se fazer, mas é mais difícil lembrar de fazê-lo.

Ser capaz de manter essa perspectiva da natureza transitória da experiência (...), ajuda a aliviar a ansiedade na mente. Por exemplo, daqui há seis meses, será que nos lembraremos da raiva ou tristeza ou mesmo da alegria desse momento? Isso não significa ser insensível ou irresponsável pelo que está acontecendo ao nosso redor, mas sim olhar com o entendimento de que tudo está sempre mudando. Nós sabemos dessa verdade de forma abstrata mas com frequência, não desfrutamos dessa sabedoria. O ponto principal, realmente, é: como usar a impermanência como um método para libertar a mente.


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Segue divulgação do Retiro Alegria de Viver, entre 21 e 25 de julho de 2010.

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terça-feira, 11 de maio de 2010

O verdadeiro olhar inteligente é aquele em que olhamos pela 1a vez para nós mesmos


A realidade criada pela mente é verdadeira?! Difícil ter a percepção entre o que é imaginário e o que é real. Fácil é se ligar a mente e acreditar em tudo aquilo que ela diz. Existem inúmeros eventos que se interligam, ou seja, conexões que de alguma forma até mesmo a mente elabora para evitar o sofrimento. No entanto, trata-se de uma crença ou realidade?

No fundo, tudo isso são apenas histórias e dramas contadas individualmente, que se manifestam no coletivo, e rompem barreiras do desconhecido. Querer descobrir a verdade, entretanto é o mesmo que tentar iluminar o sol com um farol.

Nessa busca toda, entre reconhecer a verdade por detrás dos eventos e na viagem contada pelas experiências vividas pelas história até então, talvez tenha encontrado uma resposta simples, relatada por John Sherman, em RiverGanga.

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O mesmo ocorre com a auto-investigação. Não espere uma mudança de perspectiva ou um estado espetacular, pois não é isto que a verdade lhe traz. A verdade não é algo novo, e a verdade traz unicamente a verdade, retirando de você a mentira que é a única causa do seu sofrimento. Muitas experiências podem ocorrer, boas e más, conforme a mentira se arrefece e a necessidade de controlar as coisas morre com ela, mas elas não significam nada. Aos poucos, cada dia você se sentirá melhor, independentemente da natureza das experiências que vão e vêm em você. E por fim, você estará em paz com tudo. Como sempre esteve.

Pode contar com a continuação do ego e, com ele, o drama da história da sua vida, mas ele significará cada vez menos para você, pois perderá a sensação de importância desesperada que tem agora. Afinal de contas, o ego não é o problema. A mentira de que o ego é você, este é o único problema.

E lembre-se sempre: você não tem como errar. A única coisa necessária é a intenção firme de olhar para si mesmo diretamente, sempre que puder, e tudo mais se resolverá por si mesmo.

A verdade é que todo o esforço que fazemos ao longo desta vida consiste em manter a nossa atenção fixa nos objetos que aparecem na consciência e afastada da realidade do nosso ser.

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Portanto, talvez a única e verdadeira intenção e desejo que devemos ter nesta vida é a de olhar para dentro. Buscar sempre as respostas dentro de si, distante dos pensamentos. Ir em direção ao reconhecimento de nossa verdadeira natureza, dos aspectos mais profundos de nossa existência, abandonando de uma vez por todas a ideia que fazemos de nós mesmos, deixando portanto de acreditar nos nossos pensamentos.

Om.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deixe ser como quer seu Ser...

Tudo que me inclui e o que quer que eu incluo fazendo são experiências incríveis, mas talvez sejam apenas momentos bem próximos de quaisquer outros. Não importa muito o meu "fazer", porque este Ser permanece sempre intacto e puro. Talvez seja melhor apenas observar por detrás da tela mental, que distorce a realidade como ela é e não me identificar com ela.

Investigar por si só se é possível perceber o meu próprio Ser, que não se altera jamais, é o maior conforto que a existência pode me proporcionar.

Portanto, não me preocupo como foi ou como será, porque no fundo, tudo continua sereno e tranquilo.

Review

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