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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tudo me parece bom como É


Não me reconheço ou me experimento como um ser. 
Não reconheço ou experimento os outros como seres em separado.
Sou afável com todos, porque não sinto os outros como diferentes de mim.

Convido todos a participar desta Felicidade. 
Nela existe somente Unidade, assim, como você poderia chamá-la de amor?
Não desejo nada, nem não desejo nada. Tudo me parece bom como é.

Minha verdadeira natureza é o silêncio. 
Permaneço sereno em meu Ser.
Aqueles que Me necessitam Me encontrarão. 
Sei também que receberei tudo aquilo de que preciso. 

Não tenho pensamentos sobre o futuro. 
Sei que jamais há qualquer outro momento além do presente.
A vida ao redor de mim é o meu SER. Medito neste SER com devoção.

A chama da vida está sempre acesa. Sou tanto o devoto como o objeto de devoção.
Sou, ao mesmo tempo, cheio e vazio, tolo e sábio, vigilante e adormecido. Não compreendo a mim mesmo!

Não posso Me localizar em qualquer lugar no espaço. Não posso Me experimentar em qualquer ponto no tempo.
Não existo sob qualquer forma ou aparência e, no entanto, EU SOU. Meu SER é um mistério para mim!

Percebo a beleza, mas não sou eu quem a projeta, nem ela me vem do exterior.
Beleza e bondade estão na natureza da existência, esta é a conclusão a que cheguei.

Esta forma humana tem as suas fraquezas e pontos fortes, porém sei que não sou isto. 
Portanto não estou limitado pelo corpo.
Não Me concebo como sendo isto ou aquilo. 
Portanto, não estou delimitado pelo pensamento.

Nunca experimento um estado de que não estou consciente. Portanto, não estou limitado pela ignorância.
Sei que um dia este corpo desaparecerá e todo o conhecimento do mundo terá um fim. 
Portanto, não sou confinado pelo conhecimento.

Como uma flâmula voando ao vento mostra que o vento está ali presente, este mundo revela a minha existência, porém permaneço desconhecido. Há alguma coisa de que necessito para a minha satisfação? Não! Estou contente com o meu SER.

“Eu” não sou iluminado, desperto ou auto-realizado. Não há alguém a quem essas palavras possam ser aplicadas.
Possam todos os que buscam o SER chegar a esta compreensão – que não há caminho que leve àquele que está procurando.

Possam todos aqueles que exercem práticas espirituais chegar a esta compreensão – não há nada que você possa fazer para tornar-se aquilo que você já é. Possam, todos os que buscam, em todos os lugares, chegar ao final de sua busca e viver livre em paz e felizes. 

Sou um pássaro livre. Não possuo tarefas a executar nem obrigações a cumprir.

Um Pássaro Livre [Sri Ranjit Maharaj]

domingo, 12 de junho de 2011

Todo desejo é um desejo de voltar para Casa


Você estava dizendo ontem que a própria busca, seja ela qual for, impede a gente de VER verdadeiramente - ou seja - trata-se apenas de um jogo brilhante de aparências e de desvios de atenção... essa forma de ver as coisas acontecer ajuda-nos a dar uma compreensão de como TUDO provém da mesma fonte. 

TP: Sim, é da mesma fonte, sempre é. Isto acontece pelo fato das aparências julgar não querer ser o mesmo - ou achar que não é da mesma fonte.

Mas isto é apenas um jogo - ou um jogo que é chamado de Jogo Divino ou Brincadeira Divina de ... 

TP: Sim, e é absolutamente o Jogo Divino do Ser. E o Ser não é, e nem está nenhum pouco interessado na ideia de alguém que observa ISTO ou não, porque não há nada que não seja... a própria não-realização também está "sendo" ISTO. Assim, ISTO aparentemente sofre, ri, busca, encontra, e não encontra. E não há nada além disto. E, claro, ao mesmo tempo, tudo ISTO é totalmente imaculado, completo - porque só existe ISTO de modo que é TUDO que existe e nada mais. SER não tem, nem procura por nenhuma exigência. Mas acontece que surge no SER uma aparente necessidade e obrigação de achar que há necessidade e exigência.

E o mistério do que é incontestável - é apenas um mistério.

TP: E também a busca que se reflete no mundo em que vivemos, porque tudo o que fazemos é uma busca para isso. Toda religião, todo o esforço aparentemente pessoal, é simplesmente uma busca para esse desconhecimento.

É uma forma de resolução de atenção, de sentimento de separação?

TP: É uma busca para não se sentir separado de algo. O buscador não pode ver ISTO, porque ISTO é atemporal - ISTO é o Ser Eterno, que está fora do tempo, fora do espaço, fora de ser viável para alguém. Então o que tentamos atingir não pode ser alcançado porque ele já é tudo que existe.

É meio difícil de perceber e aceitar ISTO - algo que eu tenho dificuldade em aceitar é que a busca espiritual não é nem melhor, nem maior, nem mais refinada do que a busca por dinheiro, poder, sexo ou qualquer outra coisa. 

TP: Absolutamente. Todo desejo no final das contas, é finalmente um desejo de busca para voltar para casa. E o que é estranho sobre esse paradoxo, esse mistério, é que tudo que está sendo feito - todos os buscadores, todo esse esforço pessoal, toda a construção de igrejas e impérios, é pura vitalidade. É um paradoxo incrivelmente estranho.

Em alguns textos antigos védicos, ou algo assim, não há nada disso sobre o que É, ou sobre o porquê disso tudo. Quer dizer, eu sei que o "Bhagavad Gita", diz apenas que é uma experiência ... 

TP: Não, não há razão e não há nenhuma experiência e não há nenhuma escolha. A base do argumento tradicional é que a unidade escolheu tornar-se dois, e se a unidade fez uma escolha para se tornar dois, poderia até fazer uma escolha para se tornar uno novamente. É um conto de fadas baseado na ilusão de tempo causa e efeito. Nada jamais pode ser escolhido. O sonho de toda escolha e motivação é que há algo no momento em que pode avançar com a intenção de um lugar chamado duplicidade para um lugar chamado unidade. Nunca houve nada, apenas há o SER, e ISTO é o eterno nada e o tudo ao mesmo tempo. Não vai para lugar nenhum e nunca foi em qualquer lugar. Não há qualquer lugar. Não há tempo ou espaço, exceto na aparência. Não há nada, mas apenas ISTO, e ISTO não é nada acontecendo.

E vejo agora que esta questão surge a partir do ponto de vista de separação e por isso acaba sendo inerente a duplicidade, de forma inquestionável. Trata-se apenas de uma questão sem resposta, mas isso acontece porque é a partir do ponto de vista da separação. O que é melhor é que nos vislumbres da totalidade não há dúvida alguma. Há apenas uma ausência de necessidade de não ter que saber nada, porque simplesmente É ISTO acontecendo. Então essa pergunta surge como um "laço".

TP: Sim, um laço que tem toda razão, que engendra a separação e o "por quê" e sente a necessidade de procurar por algo. E como você diz, quando não há ninguém, não há nenhum laço e não há dúvidas. Não há nenhuma pergunta e não há nehuma necessidade de respostas. Não há conhecedor e muito menos nenhum conhecido ... e assim não há ninguém para perguntar "porquê".

Mas é a pergunta mais atraente dentro desse ponto de vista.

TP: Ah, sim!. É, e estando em separação, adora perguntar "por quê". E assim esse fascínio todo tem gerado as religiões. A questão de porquê o buscador segue o cristianismo, o budismo, etc, e tudo o que você poderia chamar de um ensino que busca tornar-se ALGO, é inevitável, e é baseado no equívoco fundamental de um indivíduo que se sente separado com a escolha e a vontade de seguir um caminho, ou seja, na eterna ilusão da busca de ser motivado a mudar de um estado para outro, para um melhor estado, para buscar e encontrar a resposta que não gere nenhuma dúvida.

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