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domingo, 11 de julho de 2010

Toda experiência é de natureza impermanente

 A natureza da impermanência deve ser absorvida diariamente. Não há como negar sua existência, algo intrínseco à vida de quaisquer seres vivos e à própria existência. A seguir Joseph Goldstein, professor e co-fundador do Insight Meditation Society, descreve habilmente em entrevista os aspectos que envolvem a natureza da impermanência. 

Joseph Goldstein: As três características – impermanência, sofrimento e não-eu, são uma clara e sucinta descrição da natureza dos fenômenos condicionados. Quando olhamos, nós vemos que toda experiência está constantemente mudando e que é, portanto, não confiável; e esta experiência surge devido às condições e não de um desejo nosso de que as coisas sejam de um certo jeito. Entretanto, apenas a compreensão dessas três características não é suficiente. É a sabedoria que se adquire ao experienciá-las profundamente que liberta a mente do apego.
O perigo em qualquer tradição espiritual é permanecer no nível filosófico. No Budismo, podemos facilmente nos perder só no pensamento das várias listas – as Quatro Nobres Verdades, o Caminho Óctuplo, os Cinco Obstáculos, os Sete Fatores da Iluminação. É importante seguir essas formulações dos ensinamentos na sua essência e explorar como elas podem servir para a nossa libertação para que estejamos não só conectados, mas inspirados pela verdadeira mensagem de Buda. 

(...) a impermanência é tão óbvia para quase todas as pessoas que, a grosso modo, nós geralmente a ignoramos. É uma verdade tão comum que não lhe damos nenhuma importância. E no entanto, quando realmente prestamos atenção, quando trazemos energia e um interesse real para esse entendimento, quando estamos realmente e vitalmente experimentando a impermanência da nossa experiência presente, nesse momento a mente não está se apegando. Esse é um fruto imediato – a mente livre de contrações, um coração relaxado. 

Inquiring Mind: Nos ensinamentos do Buda, você acha que é dada mais importância a alguma das três características como uma porta de acesso para a libertação?
J.G: Na teoria do abhidhamma, qualquer uma das três características é potencialmente a porta para a libertação: as pessoas podem ir pela porta da impermanência, pela porta do sofrimento ou pela porta número três do não-eu. Na prática do dhamma, qualquer uma das três características se apresenta mais prontamente para pessoas de temperamentos diferentes.

Aquelas que vão pela porta da impermanência têm uma tendência para a fé; aquelas que vão pela porta do sofrimento têm uma facilidade para a concentração; e aquelas que vão pela porta do não-eu têm uma sabedoria desenvolvida. 

I.M: Como é que a porta da impermanência está ligada com a fé?
J.G: Quando estou experimentando completamente a impermanência, a imagem que surge com frequência na mente, é a da prática de “rafting” em corredeiras. Nossa resposta ao perigo parece ser, ou de pânico e nos agarrarmos, ou de nos soltarmos completamente. Depois de termos passado por algumas corredeiras, desenvolvemos a fé e confiança para nos entregarmos e nos soltarmos. Nesse ponto da experiência, a fé parece ser a opção mais sábia.  

I.M: Como você descreve a impermanência?
J.G: Impermanência é a verdade básica universal e constante da mudança. Impermanência é, ao mesmo tempo, um processo contínuo de perda, no qual as coisas existem e então desaparecem, e um processo contínuo de renascimento ou criatividade no qual as coisas que não existem repentinamente aparecem.

Podemos ver isso momento a momento na meditação. Por exemplo, sons, pensamentos ou sensações continuamente desaparecendo e novos surgindo. Podemos, também, ver isso claramente em situações corriqueiras das nossas vidas. Onde foi parar nossa experiência do café da manhã lá pelo fim da manhã? Onde ficou aquela conversa que tivemos com um amigo, no dia seguinte? Algumas vezes, estamos mais conscientes das coisas novas que estão surgindo, e outras, notamos o seu desaparecimento. Mas, a mudança é sempre óbvia quando prestamos atenção.

Eu acho muito poderosa a prática de prestar atenção, momento a momento, na experiência da mudança. Ao invés de somente ficar perdido no conteúdo do que está acontecendo, é possível, simultaneamente, prestar atenção ao fato de que a toda experiência está se alterando e fluindo, sempre. Isso não é uma coisa tão difícil de se fazer, mas é mais difícil lembrar de fazê-lo.

Ser capaz de manter essa perspectiva da natureza transitória da experiência (...), ajuda a aliviar a ansiedade na mente. Por exemplo, daqui há seis meses, será que nos lembraremos da raiva ou tristeza ou mesmo da alegria desse momento? Isso não significa ser insensível ou irresponsável pelo que está acontecendo ao nosso redor, mas sim olhar com o entendimento de que tudo está sempre mudando. Nós sabemos dessa verdade de forma abstrata mas com frequência, não desfrutamos dessa sabedoria. O ponto principal, realmente, é: como usar a impermanência como um método para libertar a mente.


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Segue divulgação do Retiro Alegria de Viver, entre 21 e 25 de julho de 2010.

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domingo, 23 de maio de 2010

Existe Algo que É Intocável

A história pode sempre se repetir ou quase sempre ela se repete. Pode mudar o cenário, os personagens, mas tudo continua o mesmo quando estamos presos na superficialidade dos condicionamentos da vida. A gente quer sempre estar no "melhor" lugar  (só que às vezes, nem sempre dá muito certo!), a gente sempre está buscando a felicidade ali longe ou no outro.

É decepcionante e uma grande ilusão depositar a felicidade fora. Como podemos ser tão incoerentes? Se quem sente a felicidade somos nós, se a felicidade vem de dentro, como que O outro ou "aquela coisa", pode assim mudar o nosso estado interno? A gente jamais deveria se abalar pelo que acontece fora de nós. Seja uma notícia boa ou ruim, nós deveríamos permaneSer sempre o mesmo, ou melhor, a "gente" (sic) permanece... quem se altera, é a mente doida. Quero dizer, não é agir com frieza de estado, mas sim pela serenidade de permanecer centrado, na presença do nosso Ser, inabalável, imanente e puro.

Aconteça o que for, existe Algo que é intocável. Lá no fundo, uma presença de paz permanece, independente do contexto aqui fora. Não há muito que fazer, porque Tudo já está feito. Tudo já É como tem que ser, porque nosso Ser não vai se alterar jamais.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Gate Gate Paragate: caminhando em direção ao além...

Está sendo um grande desafio aprender, em particular, este voluntariado. Trabalhar com velhinhos "abandonados" tem me levado a conhecer melhor diferentes aspectos da vida, antes escondidos, e que agora se manifestam tão viva e claramente. Tais revelações deveriam fazer parte do conhecimento intrínseco a qualquer ser humano, mas esquecemos que a vida é passageira e impermanente. 

Dentre eles, talvez a flacidez seja o aspecto mais visível no decorrer da velhice. No entanto, perceber o declínio da capacidade de raciocínio, lógica e consciência, manifestada pelo fardo condicionado de vidas e vidas, chega a ser deprimente. Não é raro perceber a insanidade quando você se depara com a realidade de infinitos mundos vivendo à beira da morte, como se ali, muitos estivessem na expectativa de uma outra vida após esta, ou simplesmente, desesperançosos, ignorantes quanto ao que pode acontecer pós-vida.

Esta confusão toda que minha mente percebe ao observar a situação daqueles "velhinhos", no fundo, nada mais são do que minha própria condição. A doença alheia me pertence se me identifico com ela. Manifesto dor quando faço dela um espelho. Está sendo difícil tratar este momento, internamente. A cura deste mal diz respeito unicamente a mim. Por quê, no fundo, se vejo insanidade, loucura, mazelas, doenças, desprezo, etc, tudo isto sou eu mesmo. O mundo de cada um é único e exclusivamente "dispensável" ao outro. Vivenciar a doidera alheia pode ser de grande ajuda pro outro, mas também pode ser uma tremenda ilusão para si mesmo. Por isso, o caminho é sempre este, individual, único e intransferível...

Estou 1): em estado de observação cada vez mais do meu estado interno...

Estou 2): em estado de atenção quanto aos meus pensamentos, buscando perceber que o mundo que vejo nada mais é do que tudo aquilo que penso a respeito dele...

Estou 3): em estado de realização quanto a percepção dos múltiplos aspectos da vida, principalmente quanto às rápidas mudanças que podem ocorrer inesperadamente, observando sempre a impermanência dos eventos...


Assim, busco o desapego consciente não só daquilo que pode me fazer sofrer, mas também daquilo que pode me fazer ter prazer. Pra mim, ambos manifestam respectivamente, repulsão e desejo e, como estou em 3) e, sendo assim passageiro: Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha...

Om. 





Gate Gate Paragate
Universum Musica

Vá além de sua mente então você pode ver que o amor é a maior dádiva de Deus para nós.
 

A descoberta da centelha divina do amor é o motivo pelo qual você foi colocado nesta terra, mas a mente humana tem traído o amor, liberte-se destes fardos.

Só em liberdade pode surgir a flor do Amor,
a partir do primeiro batimento cardíaco, todo ser humano anseia por amor.
 

Não há maior sabedoria para o homem do que o amor
Deus abriu o caminho para você tornar-se o Amor,
para ser o Amor
você só precisa remover a poeira de dentro...

pois tudo que você precisa já está aí dentro de você
 

renda-se e abra o seu coração,
ele pode encontrar a centelha divina do amor dentro de si...
então você se realiza.

Há muitos caminhos que levam a Deus 

o caminho do coração é o mais curto.

O amor é Deus, E Deus é amor.

Review

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